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14 de nov de 2012

Mãe, ele pegou o meu brinquedo_ Por Luiz Ferreira


Mãe, ele pegou o meu brinquedo.
Quem tem irmão já deve ter dito ou ouvido essa frase, as mães que tem mais de um filho também, e os pais que pela cultura que vivemos deveriam estar ausentes por causa do trabalho e sustento da família, também devem ter ouvido essa frase. Mas a intenção não é discorrer sobre a frase, mas sim o sentido que ela pode representar quando crescemos, será que toda criança é egoísta, ou então todo irmão quer aquilo que é do outro? São perguntas que na infância não fazemos, pelo contrário fica a certeza de que somos egoístas para um ou queremos o que não é nosso para o outro. Nossas mães coitadas, preocupadas com tantas outras coisas, tem que agora se tornarem juízas e julgarem a favor de um dos lados, e não estamos dificultando, pois poderíamos pensar em famílias que tem a partir de três filhos, aí a coisa seria bem mais pesada. Mas vale lembrar que a decisão nunca agradaria a todos, um dos lados sorriria e o outro iria achar que foi adotado, ou então que a mamãe gosta mais dele do que de mim, já pensei isso tantas vezes, mesmo que em muitas oportunidades tenha sido o preferido. E a mamãe novamente coitada sofreria pela dor da sua prole.
Hoje depois de muito tempo entendo algumas atitudes, as mães justas como sempre querem ser, tomam decisões para o grupo e não para uma singularidade, quando nessas situações houvesse e continuasse o impasse, elas as sábias diziam que não podíamos brigar, e que deveríamos dividir tudo, que entre irmãos não poderia haver egoísmo, esse talvez fosse o prenúncio de uma relação desconfortável e difícil que algumas famílias enfrentam. Quem dera se toda preocupação continuasse num brinquedo. Quando não se tem “nada” é quase impossível brigar para ter o que dividir, é nesse nada que muitos aprendem a repartir, eu realmente quis dizer quase, pois se não tivermos assimilado o ensinamento sobre divisão, sempre vamos brigar. Mas tudo piora quando os brinquedos da infância se transformam em bens duráveis, o entendimento entre as partes para ficar cada vez mais complicado, pais e mães agora mais velhos e serenos, nem percebem o infortúnio entre aqueles que foram criados unidos e por eles deveriam permanecer assim, mas infelizmente os envolvidos diretamente na disputa não reconhecem, pelo menos enquanto há nos pais presentes a referência de família.
                Imagino que todo pai e mãe gostariam de ser eternos, pelo menos no que tange a segurança da sua prole, e a prole que permanece “inabalável” enquanto a morte não alcançou o que pela regra da sobrevivência deveria ir primeiro, os pais são mais velhos, mas muitas vezes, mais fortes e seguros, se os filhos que brigam por casas, carros, propriedades, usassem as suas energias para em amor difundirem entre o clã o sentimento de compaixão, não fariam apressar a partida de quem se ama, para eles, seremos sempre crianças desprotegidas precisando de um colo, e para nós o brinquedo de outrora, volta a ter importância na memória, e por isso o sentimento não cultivado aflora, sendo egoísta, até pode vociferar, “que quem pegou um brinquedo, também pode me deixar sem lugar pra morar, ou carro para andar e pior sem dinheiro para gastar”. Nesse momento todo esforço foi em vão, o castelo de areia desmancha ante a ventania, que de tão fraca não pode mover uma folha, a mesma areia que cobre caixões anunciando o derradeiro fim, e junto com ele os valores construídos ao longo de uma vida e por vidas em comum, que nesses casos só se fazem lembrar pelo mesmo sangue que corre nas veias, porém de tão fraco que se tornou o elo, fazem da foto na parede uma lembrança sem imagem, como foto sem flash, onde cada um é um, e tudo isso por que ninguém aprendeu a emprestar o brinquedo.

Luiz Ferreira

1 Comentários:

Thaís Villalba disse...

Muito bom Luiz.... Quando não se tem “nada” é quase impossível brigar para ter o que dividir, é nesse nada que muitos aprendem a repartir

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