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14 de nov de 2012

Evangelismo na fila do banco - crônicas para conscientizar crentes e católicos _ por Lucas Gonzaga





por Lucas Gonzaga

Cabelo arrepiado, tatuagem no ombro direito, nem negro nem branco, meio termo. Andar um pouco arrastado, se tivesse que classificar o estilo num linguajar carioca, é o típico “marrento”. Mas sobretudo um rapaz de 26 anos, intelectual, de origem suburbana, graduado em administração e muito bem empregado. O cenário? Um dos mais chatos: a fila do banco em começo de mês, onde todos os idosos do Rio de Janeiro se concentram neste período para sacar a aposentadoria e onde se encontram um turbilhão de pessoas para pagarem suas contas. O nome do sujeito é Pierre, nome francês, é um cara gente fina e bem apessoado. Sustenta a família e ajuda a mãe.  Enfim, mas o que fazer sabendo que irá esperar mais de uma hora e meia na fila de um banco?

Para quem gosta de ler é uma das melhores saídas, e esse gosto pela leitura ele pegou na marra quando entrou para a faculdade.  Quando menos se espera para quem gosta de ler, estando na fila do banco, logo, logo é chamado por um bancário, a vez chega rápido, ler é um outro mundo que faz o tempo tornar-se relativo.

Mas se tem algo que o Pierre não gosta é assunto religioso, não por que não creia em Deus, não, pelo contrário, justamente por que para ele o assunto é confuso. Religião é algo onde todo mundo diz que tem razão, todos dizem que estão com a verdade! Então, se a verdade é algo que se sente, qualquer frase de efeito de qualquer religioso até então o fazia sentir boas coisas, por isso ficar ainda mais confuso, ora bolas, fica realmente algo confuso.

Olha, o assunto é ta, mas tão irritante para o sujeito que quando alguém vem tentar convencê-lo de algo religioso ele concorda com tudo só pra pessoa falar menos sobre o assunto. As vezes funciona, aliás, na maioria das vezes, mas tem uns que se empolgam e falam a vida toda. Pior, tem gente que só de você pedir uma informação, “Sabe onde fica a rua Floriano Peixoto?”, a pessoa responde onde fica e diz “Você já aceitou a Jesus? Jesus tem uma grande obra na sua vida e....”. Então pense no que podia ser pior na fila do banco, fora a fila que já costuma ser irritante pelo tempo que se espera? Exatamente, enquanto religião é prato prefeito pra uns em momento de fila e faz o tempo passar, já há outros que não gostam.

E estava lá o Pierre, lendo Crime e Castigo do Dostoiévski , havia já 47 minutos na fila e não se encontrava sequer na metade da fila. Ele estava em um dos momentos mais tensos do livro, quando Raskolnikov está subindo no prédio com a intenção de matar a velha, uma agiota que segundo as insanidades de Raskolnikov, não merecia viver e, logo ele, em seus pensamentos, deveria de tirar a vida da velha, só que, ao executar seus pensamentos, já com a machadinha cheia de sangue da velha, não esperava que ali estivesse a sua filha. O que fazer com ela? Ela presenciou o crime!

Em meio a leitura ele sente um dedo cutucando seu ombro, leva um pequeno susto, parece até que estava se transportando de um mundo a outro... Sem mais nem menos percebeu que estava no banco.

Olhando desesperadamente para um lado e outro diz:

_ O quê? ... Minha vez?! Ãh?

_ Calma rapaz, falta muito na fila pra chegar nossa vez ainda! Primeiramente boa tarde, meu jovem! - falou um senhorzinho um pouco barrigudo, dono de uma expressão e um olhar sereno, cabelos brancos bem penteados, de chinelos. Continua o idoso a falar- Deve estar se perguntando o porquê de eu não estar na fila dos idosos. Tenho a impressão de que demora ainda mais.

Na verdade o Pierre estava se perguntando o porquê de  velhinho ter puxado assunto do nada, mas como ele gosta de velhinhos, gosta de ouvir as histórias deles, resolveu continuar o assunto, sempre aprendeu bastante com as pessoas de idade.

  _ Boa tarde pro senhor também. É, eu também tenho a impressão de que a fila de idosos demora mais. – Pierre por educação se guardou de dizer que muito provavelmente a fila de idosos demora mais justamente porque eles demoram mais para passar as contas, para dar as informações necessárias para o saque, etc.

E o idoso pôs-se a falar o que realmente queria:

_ Meu jovem, você conhece a Jesus? – disse soltando um doce e angelical sorriso.

Por mais que Pierre tivesse a consciência de que, se há alguns que evangelizam por que são julgadores e gostam de condenar o comportamento dos outros por puro prazer de sentir-se maior e melhor que os outros, há também aqueles que evangelizam por se preocuparem com os outros, simplesmente por quererem bem as pessoas. A religião foi algo que fez bem a eles, e então evangelizam para, em sua intenção, fazerem bem  aos outros. Mas de qualquer forma, não importa a intenção, Pierre de fato não suporta o assunto, não gosta de retrucar, apenas concorda com tudo com  a esperança de que a pessoa se sinta satisfeita e vá embora.

_ Sim, conheço Jesus, não religião, mas creio em Jesus. – disse Pierre devolvendo educadamente o sorriso.

_ Ah, então claro que sabe que Cristo morreu pra te salvar, não é meu jovem?

_ Sim claro, senhor!

_ Então já que você me parece um rapaz inteligente, me diz uma coisa, você sabe como se faz para ser salvo?

Pierre apesar de não ter religião, lia a bíblia, a fé cristã era a sua fé, só não gostava mesmo é de conversar sobre o assunto. Mas se tivesse que responder, responderia um versículo que muito lhe toca e lhe deixa leve a consciência, poderia ter dito:

Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus.

Não provém das obras, para que ninguém se glorie.
Efésios 2:8-9
 
Mas não, ele sabia que a maioria dos cristãos, sejam evangélicos ou católicos, não dispunham dessa consciência. A maior parte pensa que somos salvos através do “fazer por onde”, uma espécie de comércio, através de “fazer por onde”, do mérito, o cristão pela sua salvação. Assim pensa a maioria, são o que Paulo chama de “Judaizantes”. Por isso resolveu responder diferente.

Enfim, respondeu então:

_ Para ser salvo? – colocou a mão no queixo como quem está pensando e continuou- Já sei, tem que ser cristão.

_ Não meu jovem, não só cristão, mas você está no caminho certo.

_ Tem que ser cristão evangélico então? !

_ Está de parabéns, está no caminho certo, mas ainda não chegou na resposta certa.

_ Tem que ser cristão, evangélico, neopentecostal...

_ Meu filho, como você é inteligente, iluminado pelo Senhor, mas continue, está quase chegando lá, sua resposta está quase completa. – disse o idoso cada vez mais empolgado com a resposta do Pierre.

_ Tem que ser cristão, evangélico, neopentecostal, apostólico...

_ Isso, isso, continua, só fala mais uma coisa... – o idoso já estava em euforia!
_ Cristão, evangélico, neopentecostal, apostólico e um crente reteté cheio do espírito.

O idoso muito empolgado já nem mais percebia que estava num banco e acabou que soltou bem alto: _ Glóriaaaa a Deeeeeeus!

Todos do banco olharam, o idoso ficou um pouco sem graça e o Pierre também. E o idoso pôs-se a dizer:

_ Isso meu jovem, belíssima a sua resposta, o que você está esperando para ser salvo, para freqüentar uma igreja? – E a história continua como todos já conhecem...


Esse idoso e muitas outras pessoas não sabem que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, que pastor nenhum é meio para se chegar a Deus, que frequencia a igreja não é meio para se chegar a Deus, que ser evangélico ou católico também não é meio para chegar a Deus, aliás, é Deus quem chega até a gente através do sacrifício de Cristo, a salvação é pela Graça, isto é, não é por nossos méritos, não temos que fazer algo para sermos salvos, Cristo é quem fez algo para que pudéssemos ser salvos.

1 Comentários:

Thaís Villalba disse...

Muito bom, megaaa verdadeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!

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