Pesquisar este blog

5 de ago de 2012

Sótão do meu ser_ por Lucas Gonzaga







por Lucas Gonzaga

É das profundezas da amargura que escrevo, aqui é o sótão do meu ser. Escrevo de dentro de mim mesmo, aqui, no sótão de minha alma, é onde todos despejam as agruras inúteis, praticamente seus lixos, objetos de seus psiques, dejetos impertinentes que não têm coragem de esquecer para sempre. Coisas que lhes fazem mal, no entanto não abrem mão da memória delas. Fazem do ser meu o depósito da falta de escrúpulos, das mágoas mal resolvidas, de suas almas escravas sem alforria, não abolidas, das lembranças lúgubres, dos traumas.

É daqui que escrevo, daqui mesmo, daqui, aqui.
Não é do local mais adequado para se escrever um bilhetinho que seja, mas o material é vasto, imensos os sentimentos projetados aqui. Tenho de conviver com os objetos de trabalho. São os fatos, as fotos da vida, os sentimentos dos outros, de gente que nem conheço, fazendo par com os sentimentos que eu mesmo vivo. O poeta não fragmenta a realidade, pelo contrário, o vive, revive, com plena e robusta intensidade, parecendo ainda mais real que o real. E, fato é, que o que é mais real que o próprio real é, pois, então irreal, surreal, portanto fantasia. Claro, deveras que algo aquém ou abaixo do real, está fora da realidade, porém, paradoxalmente o exagero do real, o real avultado, a fantasia, faz a gente viver o real de forma mais intensa. É isso que faz o artista, que faz o poeta das tintas, o pintor dos sons, o músico das palavras.

O artista quando em sua plenitude, quando em transcendência, vive aquilo para si mesmo e, passa aquilo ao outro somente na convivência simples e despropositada, porque não consegue passar aos outros tal experiência magnífica através da arte, seja pela tela, papel ou flauta. O artista em plenitude torna-se melhor pessoa e não melhor artista necessariamente! A plenitude artística é engrandecimento, expansão do ser! A plenitude artística não pode ser desmembrada como na ciência. Também não cabe na própria execução da arte, por isso ser inviável a transmissão por meio artístico. A única substância grande o bastante e capaz de comportar tão imenso vigor transcendente, e ao mesmo tempo pequeno o bastante para caber no coração de uma criança é o amor. O amor é gigante por si mesmo, pelo que é em si; porém pequeno, é humilde, jamais usa de força, é libertário, libertador.

O amor liberta, liberta.

O amor não cabe na poesia de papel, cabe sim na poesia da vida, cabe nos atos, no olhar miúdo e sofredor de quem estando a chorar, ama. Mas no papel não. No papel cabe o “falar sobre o amor”, não o próprio amor. O amor cabe num breve acariciar que perdura tão somente segundos, cabe num beijo (assim disse Drummond), mas nunca num livro por maior que este possa ser. O amor cabe no ser humano, não no entardecer de um romântico casal, por mais lindo que seja. O amor não cabe em coisas, cabe em gente, cabe em nós!
O interessante é também que o amor não cabe em uma pessoa somente, cabe apenas a partir de 2 ou 3 quando estão reunidas em nome do amor, seja formal ou informal, consciente ou inconsciente tal reunião. E o importante é exatamente isso: viver amor.

É desde sótão de coisas velhas e limpas, novas e empoeiradas de minha e de outras almas que vivo minhas mais intensas dores, sobretudo, especificamente uma dor, a falta: _ sabes bem, é o meu novo amor, espero que último, portanto único, e eterno amor.

É de amor que se vive, amando. E na verdade é única forma de viver, não há alguma forma outra de viver a não ser no amor e de amor. Quem não ama não vive, vegeta. Quem ama, vive, mesmo após a morte!

4 Comentários:

sérgio disse...

Adorei esse post amigo Lucas...muito!


..."A única substância grande o bastante e capaz de comportar tão imenso vigor transcendente, e ao mesmo tempo pequeno o bastante para caber no coração de uma criança é o amor. O amor é gigante por si mesmo, pelo que é em si; porém pequeno, é humilde, jamais usa de força, é libertário, libertador."...
Abração!

john disse...

Muito Lindo seu poema, parabéns, logo se ver, que também és um sofredor em busca do amor, quem como bem dizes, só uma pessoa pode expressar, vivendo-a com outra...

Preso por fora disse...

Amigos,para ser ser sincero, não sei bem como é a poesia. Talvez este seja o sentido da poesia "o não ser que ela é". Se leio Patativa do Assaré, Fernando Pessoa e seus heterônimos, Mario Quintana, Martha Medeiros, fico sem entender não exatamente o que é a poesia, mas como é.

thais villalba disse...

Muito bonito!!!!!! Lindo......

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Seguidores


Mais Jogos no Jogos Online Grátis - Jogos de Meninos