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17 de jul de 2012

O velho, a empregada e o psicopestinha! _ por Lucas Gonzaga

                                 






         por Lucas Gonzaga

           Geninho, seu apelido desde a infância, mas que foi sendo cada vez menos usado à partir da faculdade. Não era outra coisa que fazia, senão jogar bola, andar por aí a toa com os amigos de bate-papo, galantear as meninas, beijar na boca, roubar goiaba e outras frutas mais dos vizinhos, tendo, pois, que fugir de cachorros raivosos, o que quase sempre dava em boas gargalhadas. Provar cigarros e bebidas pela primeira vez escondido dos pais e viver aquela sensação de proibido, sentindo correr nas veias a adrenalina, faz parte da adolescência de muita gente também, e o fez da dele. Eita adolescência! Triste aquele que não a teve, triste também para aquele que teve! Como assim? É, em uma época da vida a nostalgia pode ser quase que insuportável, principalmente na velhice, e esta hora certamente há de chegar à todos, claro, se não morrerem antes: sentença óbvia, redundante, porém ainda assustadora para muitos!

          Era assim... desta maneira mesmo que estava Geninho, o Dr. Genivaldo, coronel do exército, que jogou pelada e pegou mulheres peladas até onde aguentou. Uma hora a idade chega, né? E chegou para ele. Vive das lembranças, pois agora não há muito o que se fazer, aliás, não há quase nada para fazer. Parece uma múmia enfiada naquele sofá cafona, cheio de buracos de queimada de cigarro. Deixa cair quando está pegando no sono, aí fura lençol, fura sofá e tudo o mais que o bendito do cigarro conseguir furar. Fora o risco de pegar fogo, né? E fica lá ele, lembrando de tudo que já aprontou nessa vida de meu Deus do céu.

          Ah... lembrou, naquele dia, dos romances, das mulheres, dos corpos das brasileiras Brasil afora, das gringas que conheceu em suas viagens pelo mundo, das pingas que provou. Recordava de como pintou e bordou no futebol, das cenas incríveis que deixou na memória de muitos amigos de jogo, trazia a sua mente as lembranças de quantos foram os metidos a zagueiros que morreram de vergonha a ponto de cobrir a cabeça com a camisa após os dribles de Genival, o Geninho; estes ficavam até acanhados, com vergonha de  jogar, uns nem voltavam mais jogar tamanha era a humilhação ao tentar marcar o Geninho.

          Agora não passava de um velho ranzinza e incapaz. Era isso que lhe corroía a alma, era realmente incapaz, até mesmo de se matar. Seu corpo não lhe obedecia e sua mente estava muito mais devagar. Só andava com ajuda e olhe lá. Se antes chutava muito bem uma bola chegando a realizar a proeza de fazer os goleiros, mesmo os melhores, a saírem da frente da bola para não ter que perder um braço, agora, sequer consegue defender-se da empregada que o maltrata. Se antes gritava com uma tropa inteira de homens fortes e preparados para as maiores selvagerias de uma guerra... Agora? Pequenos sons incompreensíveis e lerdos lhe saiam da boca, de modo que ninguém nunca, nunca entendiam nada do que ele tentava falar. A safada quando indagada pelos filhos do velho que moram longe o porque de papai (como eles dizem) estar cheio de hematomas, dizia:

          _ Ele que é teimoso, cisma de levantar sozinho enquanto estou arrumando alguma parte da casa e se espatifa no chão. Tenho 3 filhos, pelo amor de Deus dona Fabíola. Se eu cuidar só dele a casa fica uma nojeira, se eu cuidar só da casa ele apronta e fica todo machucado... tenho que me desdobrar em fazer tudo!- fazia um escarcéu, ajoelhava e juntava as mãos como se tivesse rezando, e ainda dizia_ pelo amor de minha Santinha!!!

Mas como os filhos não dispunham a contratar mais uma pessoa, ficava por isso mesmo.

          Não consigo entender esse tipo de gente, é uma safada! Como a pessoa não pensa que um dia poderá ficar velha e impotente?  E essa agressora de velhos indefesos não sabia o que a vida lhe guardava... num prédio do outro lado rua havia alguém que a tudo assistia o tempo todo. Um menino que devia ter lá para seus 13 anos. E não é que o descarado assistia tudo com gosto? Um sociopata! É um daqueles que sente prazer em pegar gatos e tacar na parede, tacar bombas em casas de cachorro, beliscar bebês, etc. Ele chegava a pensar enquanto assistia com seus binóculos, “Eu fazia o que fosse preciso para estar no lugar daquela empregada de meia tigela!”.

           Depois de inúmeras surras, teve um certo dia que o psicopata ficou bastante mexido, teve compaixão do velho, do coronel! Costumava mexer em seus binóculos e ajustar sempre nos melhores ângulos possíveis. Como sonhava em se especializar em uma profissão em que um dos ofícios seja matar, no caso a polícia para ele, ou coisas similares, ele quis dominar, até de modo fanático, as técnicas que as polícias usam em todas as áreas necessárias paras suas operações. A CIA, FBI, Polícias militares, exércitos: tudo isso deixava o garoto a beira da loucura (como se já não fosse doidão, né). Uma das coisas que esse pentelho desgraçado aprendeu foi a leitura labial. Numa dessas vezes que se esbaldava no prazer de ver o velho apanhando, ficou curioso, para ver e decifrar o que a empregada falava enquanto batia no Geninho, o velho, até mesmo para testar o que estava aprendendo, era uma boa oportunidade. Observou por dias, percebeu pela primeira vez que o velho não falava nada. Tudo bem, ele não mexia os braços, não gesticulava por talvez ser velho, mas o garoto achava que o velho falasse algo. Mas era tão, mas tão incapaz, tão mal de saúde, que sequer conseguia falar. Quanto menos levantar o braço com força o bastante para defender-se.

          Antes o garoto querendo ver só as brigas e pancadarias diárias, nem aproximava muito o zoom do binóculos, mas como agora queria ler os lábios, aproximava dos rostos e acabava que via as expressões faciais. Foi certa vez então que viu a mulher, aquela safada desumana, dizer “Nem a tua família te quer, ninguém gosta de você, todos estão contra você seu velho”.  O moleque virou lentamente o binóculos querendo saber a reação do velho, pois aquilo que ele leu dos lábios da maldita, lhe perfurou o coração e tocou na ferida que estava no mais lúgubre fundo de sua alma e, nessa de virar lentamente, avançou um pouco mais o zoom do binóculos e percebeu a lágrima do velho a escorrer. Uma fúria infernal tomou conta de seu peito. Era assim que se sentia, abandonado e odiado por todos, pelo pais, pelos colegas do colégio, por todos. Quantos pombos esse pirralho, protótipo de assassino, não matou apenas para aliviar essas tensões?  

         Tenho que preparar alguma coisas para essa mulher, ninguém deve sair ileso ao mexer com um rejeitado e, esse velho é como eu, uma vítima, um rejeitado, odiado por todos... pensava o garoto. Teria ele realmente se compadecido? Sentido pena do velho? Ou seu inconsciente na ânsia de suprir, de realizar, de satisfazer uma pulsão, enrolou a mente do menino dando uma desculpa, criando uma fantasia, um álibi, uma espécie de ato heroico para esse maluco matar ou maltratar de verdade seu primeiro ser humano? Até porque para ele beliscar nenês não lhe fazia mais graça alguma. Desejava freneticamente ver sair sangue de alguém, até sonhava com isso. Ia á loucura chegando a um frenesi efervescente quando imaginava o intestino delgado de alguém saindo. Cruzes, parece até o capiroto!

           Pois bem, como era um baita de um covarde e tinha horror só de pensar na ideia de ser pego e parar numa casa de detenção para menores, esperou um tempo. Descobriu e pontuou cada passo do dia-a-dia dos moradores do andar do prédio onde o Geninho morava, do porteiro, observou todos os meninos detalhes e formolou todas as hipóteses que pode relativo as probabilidades de seu plano dar errado e ele ser preso. Não deveria de ter testemunhas. Fez amizade com o porteiro daquele prédio, prestou-lhe vários favores com a intenção de se aproximar e ganhar a confiança. Acredita que até cartinha de amor ele inventou? Colocou em nome da empregada. O porteiro ficou super fascinado e surpreso com a carta da empregada. Por outro lado também inventou cartas do porteiro para tentar ludibriar a maldita e por um fim nela. E fazia parte do plano exatamente isso: usar o porteiro como isca para fazer com que a safada da espancadora de velhinhos saísse de seu local de trabalho com a intenção de encontrar o porteiro e, no momento e local oportuno, ser assassinada.


           Nesse dia a safada colocou a melhor calcinha e sutiã, as que achava mais atraente, pensou logo em safadeza ao sair de casa. Pensou consigo mesma “tenho que sair do atraso nem que pra isso eu morra queimada.”... uma pausa no pensamento e não perdeu a piada, “morrer queimada só se for de tanto fogo no rabo que eu estou”. O porteiro? Foi só um laranjinha sem ter a mínima ideia do que iria acontecer. Nas cartas que o psicopestinha mandava para o pobre do porteiro em nome da safada com o codinome de “Empregadinha do 907”, dizia que era para ele não falar com ela, pra deixar todas as vontades explodir num dia só que é mais gostoso. Olha só, um moleque de 13 anos escrevendo essas coisas, mas é isso aí, esse diabinho tá com 13 anos, explodindo hormônios, não lhe deve ser difícil pensar tanta safadeza, embora também exista a influência de tudo que há na internet e nos programas de televisão. Uma ressalva, para o porteiro o encontro seria no “inferno”, como dizia a carta, só estava a espera do dia, da hora e do verdadeiro local, e, mesmo não sabendo o que seja uma metáfora, ele achou que aquilo era uma.

           O momento tão esperado pela safada da empregada chega. Na carta que o garoto escreveu, dizia que um menino prestando um favor para ele ligaria usando do interfone dizendo para se dirigir a lavanderia, pois aquele dia não era o dia de lavar roupa e, portanto, ficava trancada. O garoto, esperto que só, havia ganhado tanto a confiança do porteiro, que as vezes ficava ali tomando conta da entrada e da saída do edifício. Psicopata pode ser um bicho tão simpático e gentil que não temos ideia de como! E este foi um daqueles dias. O garoto sugeriu ao porteiro para ir comprar um buquê de flores para a safada. A floricultura mais perto fica é bem longe, perto do cemitério.

          O interfone toca, antes de atender a mulher por puro prazer dá a porrada mais forte que pode com seu tamanco na face enrugada do velho e por fim, atende. Ao que ouviu “Na lavanderia, ele vai à lavanderia”. Não teve outra reação, como uma bruxa que pega a vassoura e sai voando, parecia aquela safada descendo pelas escadas, voando... Não iria pelo elevador, pois os vizinhos todos sabem que o velhinho precisa totalmente de ajuda pra tudo e iriam estranhar ao vê-la fora da casa.

            O pentelho, pequenino que só, posicionou-se com a pistola do pai, dentro de uma máquina de lavar. Como combinado na suposta carta do porteiro, ela iria apagar a luz. Dizia na carta que era um fetiche do sujeito. E ela seguiu conforme o que havia lido, sabia que ia ficar mais picante se obedecesse os caprichos do porteiro. Esse homem virá que nem um boi viril, imaginava ela. Passou o tempo, ela começou a ficar inquieta e já tinha imaginado tudo quanto é safadeza. Sequer lembrou-se do velho, que estava sozinho e que pudia lhe acontecer algo de ruim devido sua negligência. Não, nada de velhinhos, sexo lhe interessava muito mais que bater em gente indefesa, só pensava mesmo é em safadeza.

       Nesses 6 ou 7 minutos em que ficou em espera, o garoto astutamente havia saído da máquina de levar, da melhor forma que pôde, com o mínimo de barulho. Saiu parecendo até ninja chinês, somente teve um vacilo, um pequeno barulhinho, porém nada de mais. Tanto que a mulher pensou que era apenas um rato que passou ligeiro, mas ela não é daquelas que tem medo de ratos, portanto sequer moveu-se, não hesitou em continuar pensando em todas as suas fantasias por causa de um simples ratinho.

           Quando o moleque estava posicionado perto da porta, com uma mão que segurava a pistola e a outra que encostava sobre o interruptor de luz, ao ligar a luz, dando ao mesmo tempo a primeira apertada no gatilho, das várias que pretendia dar, um empurrão na porta lhe atingiu as costas com enorme truculência. A bala que tinha endereço certo passou muito longe, e em segundos causou um estrondo enorme fazendo com que todos os moradores do prédio o sentisse tremer. Na hora em que a porta o bateu nas costas, no susto, soltou dois tiros. As duas balas atingiram em cheio o encanamento de gás que ficava naquele ambiente e, depois da explosão, parecendo um gigante maçarico na direção da maldita, a mulher foi torrada, gritou por uns segundos num desespero nunca visto por ninguém, parecendo algo do além, de outro mundo. E num é que ela morreu queimada mesmo? Como ela havia dito: “tenho que sair do atraso nem que pra isso eu morra queimada.” Só não tirou o atraso, né!

      O garoto olhou para mão, não viu a arma. Em seu ouvido estava um zumbido infernal por causa do estrondo causado pela explosão. Com medo de quem pudesse ter lhe feito isso, acolheu-se num canto rapidamente olhando em direção a porta para saber quem ali estava, sentindo o calor insuportável e almejando sair dali de qualquer forma ao pensar no que lhe pudesse acontecer se o fogo se alastrasse ainda mais. Se não funcionava a lavanderia naquele dia quem poderia estar ali e ter-lhe feito aquilo?

       O velho!!! O menino horrorizado, perplexo o avistou. Estava o Geninho com sua farda do exército, bem corcunda, indo de encontro ao elevador com uma expressão bem festiva e um charuto na mão. O garoto estava estupefato... todos começaram a aglomerar-se, já ouvia-se o som da sirene dos bombeiros, a gritaria dos moradores já era percebido pelos ouvidos afetados do menino. O porteiro vendo o garoto sentiu-se culpado por ter abandonado seu posto de trabalho, pondo assim em rico a vida de um "indefeso menino"  e logo pôs-se a resgatar o garoto e colocá-lo no colo... o garoto cinicamente chorava falando “Eu ouvi um barulhinho e só queria ver ser era o rato, só queria matar aquele rato maldito ratinho. Quando cheguei: boom! A explosão e todo aquele fogo” e chorava horrores entremeado com umas gargalhadas parecidas com choro.

      9º andar, calmaria, porta aberta, som de Elvis Presley a tocar na vitrola, uma bola murcha e velha de futebol sobre o colo do velho fardado. As fotos dos filhos e da falecida da mulher, sobre a coxa direita, parecia estar dormindo. Uma senhorinha colocou-lhe a mão no ombro e com um sorriso manso e meigo disse:

      _ “Ainda bem que deixou por um momento, meu velho turrão, de ser incrédulo, acreditou que era de fato eu quem falava contigo e seguiu minhas orientações. Agora poderemos novamente vivermos juntos e em paz e teu sofrimento por fim acabou!”.

         Como é que o velho Geninho que mal se mexia, com toda aquela dificuldade tremenda para levantar o braço para levar seu fedido cigarro a boca, conseguiu descer e empurrar com tanta força aquela porta? Mistério, algo ainda maior que mistério... assombroso! Deve ter juntado todas as suas forças somando-as a seu ódio provocado pela empregada nesse tempo todo em que ficou parado, sendo surrado dia-após-dia... todas as suas forças que usou, porém, parecem ser exatamente então tudo o que tinha, pois não estava dormindo não...olhando melhor, parece ter descansado daquele modo diferente de como fazemos todos os dias, um dormir que não se levanta, onde, posteriormente, a cama é a terra e o pijama é o palito de madeira. O cobertor? As flores! A música de ninar?O choro de amigos e familiares...

       A empregada, a bruxa, virou pó, ou melhor, cinzas. Que queime no inferno aquela filha de uma put*, foi o que pensou Geninho momentos antes de morrer.

       O psicopestinha voltou para casa e por um bom tempo fingindo sentir-se traumatizado, dizia ver coisas, almas, espíritos e, que com o tempo, realmente passou a ver e a ser instruído por elas. Este demoninho, com sorriso malicioso nos lábios continua, pois, então, dia mais dia a vigiar seus vizinhos, maquinando cada vez mais o que fazer, evoluindo nas maldades . No entanto agora seria muito mais capcioso e prudente, pensava em praticar maldades menores como, por exemplo, fazer com que alguém quebre pernas, dentes, nariz. "Em meu primeiro plano, que de certa forma deu certo, o velho me reconheceu, mas ainda bem que ele morreu sem poder antes mesmo ter soltado a língua, velho maldito. Caiu certinho, bebeu o vinho envenenado". Agora este demoninho revira-se dia e noite planejando "acidentes"... até estudar física está estudando só para que tudo saia perfeito. 

     Mora você em apartamentos, ou perto de apartamentos? Cuidado, você pode estar sendo vigiado por um psicopata profissional ou em início de carreira!

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