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4 de jun de 2012

Toda mulher é traiçoeira e frágil X Todo homem é babaca e safado_ por Lucas Gonzaga







por Lucas Gonzaga

     Quanto mais pesquiso, estudo, persigo informações, vejo-me cada vez mais distante dos impropérios populares. Se existe o que chamamos de “sabedoria popular” há de ser conveniente afirmar com toda certeza que existe também as “Sandices populares”, que são informações ou afirmações oriundas do senso-comum ilógico- até porque nem todo senso que torna-se comum é ilógico como pensam alguns. São certas crenças que se repetem, formam ideias, filosofias de vida, estilos de vida, na maneira de uma família conduzir-se, de uma empresa ou até uma nação. Muitas delas, “sandices populares”, irritam-me profundamente a ponto de fazer-me pensar o quão malévolo, demoníaco, demasiadamente espantoso é como que tais pensamentos se perpetuam por tempos e tempos, embora haja sempre quem questiona e, ainda bem que há.

        Dentre tantos como “Pau que nasce torto morre torto” e outros dizeres deterministas, pode-se achar pensamentos como “Todo mulher é assim” ou “Todo homem é assado”, “homem é tudo igual só muda o endereço” ou “mulheres são todas iguais...” Criado por um pai machista, tendo vivido diariamente com ele por 10 anos, ouvia nas mais diversas circunstâncias meu pai dizendo insanidades desta espécie, que, aliás, até hoje tenta me aconselhar com a sincera intenção de realmente me proteger reproduzindo ainda seus vitupérios tangencialmente ao mundo feminino.

          Agora, pasme, minha mãe com todas as mágoas e ódios que poderia ter e, talvez tinha, uma feminista de linha francesa, dizia-me sempre sobre estas questões com a mais pura neutralidade, portanto numa ótica bem diferente ao que costumava ouvir de outras pessoas. Falava-me desde pequeno que mulheres não são ”assim ou assado” por motivo de natureza, mas sim por razões culturais, de educação, dos valores da sociedade em que está inserido, da forma com que foram criados tanto homens quanto mulheres. Ela repetia-me sempre que oportuno, pois seu tempo era escasso, a frase da Simone de Beavouir “Não se nasce mulher: torna-se mulher”, isto é, a mulher nasce segundo o seu gênero, é claro, mas ela aprende o comportamento dito feminino com o tempo, pois assim lhe é ensinado ou observa como agem pessoas do mesmo sexo.  

        E para que eu entendesse melhor, me contava sobre o caso das meninas lobo, Amala e Kamala, duas crianças encontradas na Índia em 1920. Elas não falavam, não sorriam, andavam de quatro, uivavam para a lua e sua visão era melhor à noite do que de dia. Ou seja, aprenderam a serem assim, porque foram criadas por lobos.

        Para que o nosso pensamento a este respeito frua com mais clareza, será primordial separar em dois conceitos, o comportamento humano, sendo este, o comportamento influenciado pela genética, este em parcela menor; e o comportamento influenciado pela cultura, pelo ethos, pelo modo de vida de uma sociedade ou grupos participantes de uma sociedade, este, influencia predominantemente.
É conveniente afirmar aqui que as diferenças entre homem e mulher são anatômicas e fisiológicas e que é falsa a ideia de que os diferentes comportamentos entre esses gêneros são de determinações biológicas, isto é, “O homem ser safado é de sua natureza”, “É da natureza feminina ser traiçoeira”, “Ser competitivo e ansiar por ser maior que os outros é de natureza masculina”, “a mulher por natureza é o sexo frágil e incompetente para certos fins como, por exemplo, administrar uma empresa, etc.”! Essas afirmações são tão mentirosas quantos as de que existem raças superiores e inferiores, veementemente afirmadas pelo nazismo de Hitler e de certa forma existente ainda hoje na Ucrânia e na Rússia.

      O que quero dizer com estas coisas? Nascemos, homens e mulheres, para sermos assim? Não, não nascemos imbuídos de tais naturezas assim ou assado. Nós nascemos e nos tornamos com o tempo através da educação nos dada.  Aí que entra necessariamente noções do vem exatamente a ser cultura. Quando aqui é mencionado cultura, não deve-se entender como nível educacional, volume de leitura, títulos universitários, etc., no entanto como “modo de vida”. O antropólogo Roberto da Matta ao falar sobre o que é cultura diz que

“De fato, quando um antropólogo social fala em ‘cultura’ ele usa apalavra como um conceito chave para a interpretação da vida social... maneira de viver total de um grupo, sociedade, pais ou pessoa.”

         Portanto se encontrarmos uma mulher frágil, esta é assim por circunstâncias e não por fatores biológicos determinantes; ou simplesmente porque foi assim lhe ensinada, por ter visto a mãe ser assim, por ter sido coagida a ser assim, etc. Qualquer comportamento é inerente a humanidade, não a gênero sexual, sexualidade, raça, religião. Hoje um pode comportar-se assim, amanhã poderá ser o outro, assim a história, as civilizações, tribos nos provam.

         Enfim, se após exaustivas provas científicas de que homens e mulheres não tem diferenças biológicas e sim culturais, começarmos a sair deste pensamento determinista, fatalista e aviltante a humanidade, poderemos educar melhor nossos filhos, termos escolas diferentes. Poderemos mudar como pessoas: o homem poderá ser menos grosso e bruto com sua mulher e parar de sair atacando todo rabo de saia que ver, melhorando assim seu relacionamento com sua esposa além de refletir sobre competitividade e começar a pensar cooperativismo, num mundo onde a solidariedade pode sobrepor-se ao "puxar de tapetes"; a mulher poderá ganhar confiança para lutar pelo que quer, crescer na vida para que nunca mais ocorram casos como aqueles em que após uns tapas ainda tem que ouvir de um monstro: "AQUI NA MINHA CASA QUEM MANDA SOU EU!"

Atribuir certos comportamentos a si mesmo como já estando em sua natureza é apenas desculpa esfarrapada para poder exercer atitudes de mau caráter. 

4 Comentários:

Professor Zezito disse...

Texto muito bom!

camus_mcr disse...

Maior balela que eu ja li, lógico que existem diferenças biológicas entre os sexos.
O cérebro do homem é racional, o da mulher é emocional, o homem se guia pela lógica e pela razão, a mulher se guia pelas emoções.

E vamos parar com essa frescura de que tudo que o homem diz e faz eh machista, porque eu tenho certeza que toda mulher quer de um ogro troglodita para a tratar mal e dominá-la.
Porque o homem sensível que tanto procuram, quando o acham se torna amigo gay.

E nossa sociedade de alguns anos pra cá está formando um bando de homens bunda mole sensíveis que choram por qualquer motivo, enquanto as mulheres ganham cada vez mais liberdade sexual sem consequências disso, quando até elas mesmas se assumem vagabundas quando estão entre sí.

Está no DNA da mulher se sentir atrída pelo macho que atrai muitas fêmeas, é assim desde tempos remotos e sempre será.

Agora vem um bando de tia feminista e propagandas de marcas aumentando o ego frágil feminino e o resultado se vê nas grandes cidades, um bando de mulheres que só querem arrumar uma desculpa para liberar a vagabunda no cio que tem dentro de sí.

Preso por fora disse...

Senhor Camus_ mcr, não baseio estas informações que aí encontram-se em crenças populares, mas em ciências: psicologia, antropologia, biologia. Nego-me a ter como mestre retardados como Mr. Catra & CIA, prefiro Margareth Mead, Franz Boas, Deam Hamer, etc.

Preciso ressaltar que é a "macheza" que faz do mundo a merda que é. Farei, junto com outros ativistas humanistas, o que puder para por abaixo esta calhordagem que é o machismo.

Lucas Gonzaga

Preso por fora disse...

Camus_ mcr: "uma desculpa para liberar a vagabunda no cio que tem dentro de sí"

Meu caro, cada um é responsável pelo que faz. Quem te oficializou como fiscal de vágina? A mulher o que quiser e, se acaso for algo ruim, como qualquer pessoa, arcará com as consequências. Se homens tem o direito de pegar várias mulheres e ainda assim ser bem visto pela sociedade, a mulher tem ainda o mesmo direito. No entanto não aconselho a tal vida de "putaria" para qualquer ser humano, enfim, mas cada faz o que quer.

Lucas Gonzaga

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