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14 de jun de 2012

Facasso: a vitória de um estranho_ por Lucas Gonzaga







por Lucas Gonzaga

Não conquistei meu primeiro carro! Aliás, o que faria com ele se vivo tão feliz onde estou? Se tenho prazer em pisar o chão de terra com os pés descalços? Se tudo que amo e preciso está tão perto? Se meu trabalho não fica a 50 metros apenas de meu quarto? Tendo em vista que trabalho em meu próprio terreno. Exibir um carro pela vizinhança? Não, não vejo graça nisso, meus vizinhos importam-se ainda menos: são desejos plantados! No entanto quando a cidade grande eu vou, acham isso estranho, retrógrado e vergonhoso!

Não perdi a virgindade aos 13, 14 ou 15 anos de idade como moda é nos grandes centros urbanos, quando aconteceu já era maior de idade. Por que transaria antes de encontrar quem amo? Pelo mais puro prazer? Para dizer aos amiguinhos o que fiz e como fiz com a garota tal? Para exibir a menina, assim vulgarizando-a, para todos? Considero uma das mais absurdas facetas do egoísmo, isto é, usar do outro, enquanto ser humano, para proveito próprio. Porém na cidade grande egoísmo é moda, quase uma regra. Fazer amor quando se ama é considerado estranho, retrógrado e vergonhoso!

Vivo bem e em paz comigo mesmo, em harmonia com minha esposa e família. Poderia ter usado um tanto de outros exemplos para desnudar a sociedade vigente, onde as pessoas sentem-se angustiadas se ficarem um segundo sozinhas consigo mesmas, sentem-se perturbadas com o silêncio, não estão preparadas para receber a paz e o amor, pois quando chegam a estes seres simplesmente rejeitam. Têm como filosofia de vida que “Se está indo tudo tão bem, algo de estranho tem”, por isso não vivem bem com amigos, vizinhanças e família, por ser o bem estranho a eles, motivo de suspeita e, o mal: tomado com a mais pura normalidade.

O segredo paliativo que a sociedade de hoje tem para tentar substituir a falta de paz e amor é o consumo. E, claro, isso faz muito bem para o bolso de uns poucos. Não será propositado? Não somente comercialização voraz da materialidade, contudo, de certa forma, compram e vendem entre si afeto e carinho. Alimentam assim o ciclo vicioso do mal, fazendo perpetuar a doença do ser.

Assim então, sendo, pois o tremendo fracassado é que venci na vida. Obviamente que o “vencer na vida” depende do ponto de vista de cada um. Freud, pai da psicanálise, dizia bem que “Seriamos muitos melhores se não quiséssemos ser tão bons”. Ora, há de cismar tu, caro leitor, que todos os desejos que tem de fato são seus, de livre e espontânea vontade? Não conquistas e metas que se sente obrigado a cumprir de certa forma imposta pela sociedade? Ora, continuo, por que nadar toda uma vida contra a correnteza, sendo que a terra dá-nos o necessário para vivermos como lembra-nos Gandhi? “Cada dia a natureza produz o suficiente para as nossas carências. Se cada um lhe tomasse o que fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.” Por que ficaria eu como um cachorro desesperadamente correndo atrás de seu próprio rabo se posso fazer meu próximo feliz e ele a mim? O neurótico está sempre insatisfeito, não conseguindo absorver, viver e aproveitar o que o ambiente oferece-lhe, sempre com a mente ligada ao objeto de satisfação não conquistada ou adquirida, seja afetiva ou material.


E enfim, a vida passa. Entre os dois pontos que chamam-se “nascimento” e “morte” nada viveu-se, o tempo apenas passou. O tempo não existe quando vivemos, a vida esmorece quando há tempo e o vivo feliz quando sou um completo fracasso, pois não sucumbo às pressões da sociedade em ter que cumprir o que a mesma exige de mim.

1 Comentários:

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