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2 de mai de 2012

"Nunca mais" x "Para sempre"_ por Lucas Gonzaga







por Lucas Gonzaga

Pois é. Não mais, nunca mais, mesmo tendo a certeza de que nunca deve se dizer nunca, porém ponho-me a afirmar com toda força da minha alma, mesmo que eu não esteja crendo no que estou dizendo, no que quero gritar, mas grito mesmo assim porque preciso: NUNCA MAIS!

Não entendo como corre esse processo, algumas pessoas dizem que é essa coisa de, “O coração diz uma coisa e a razão outra”, e neste caso sabemos bem que “coração” é referente a amor, portanto, como coração/amor está contrastando com razão, dá-me a impressão de que está sendo dito que o amor é burro, insano, ilógico, etc. Coisa que particularmente não creio que seja. Entendo então que a tal famosa frase fpoderia ficar melhor se fosse dita assim “O coração/amor diz uma coisa e o medo diz outra”. Acredito que este seja o contraste, que seja essa a dicotomia, o conflito, a dualidade, a dialética. O amor e o medo.O medo não tem necessariamente a razão, o medo é um aviso de que algo de ruim aconteceu e que é para tomar cuidado. No entanto o medo não é racional, não é um ser, não é algo em si mesmo. É um estado mental, somente.

O “Nunca mais” e o “Para sempre”, uma velha briga, álibi e maior motivador, talvez, de muitos dos romances mais famosos. Quando escrevo contos e romances- romances esses que nem sempre acabo- procuro fugir deste paradigma, do pedestal ou da balança onde um casal está entre o “Nunca mais” e o “Para sempre”. Na verdade, em sua maioria os romances trazem um grande amor e colocam qualquer coisa como plano de fundo. No entanto costumo trazer um grande contexto, e ele é o principal, o contexto é meu protagonista, e trazer um grande amor como coadjuvante, porém, cada personagem deste grande amor está inserido neste contexto. Enfim, o contexto é que tento por como o principal da história, um contexto social, de pobreza, injustiça, de luta por algo, etc., e o grande amor, o casal da história participam deste contexto tentando mudá-lo. Então, em minhas histórias de amor até admito ter conflitos de casal, pois além do mais, que casais não têm conflitos? Porém, há mais muito mais cumplicidade para resolver o problema da trama, que essa dicotomia Amor/Medo ou Nunca mais/ Para sempre.

Menosprezei a questão “Nunca mais” Vs. “Para sempre” -agora digo de meu caso pessoal, de minha alma ferida, de minha questão amorosa- e, menosprezando, dou destaque ao verso da banda Los Hermanos¹ “Deixa ser como será” e a uno numa grande e explosiva harmonia à frase “Deixo a vida me rumar para onde eu quero ir” de Martinho da Vila².

As duas frases para mim, não quero que estejam em conflito como acontece na relação Nunca mais/Para sempre ou Amor/Medo. Não, as frases são para mim o que desejo de minha vida daqui para frente, que seja o que há de ser, isto é, me entrego perenemente ao futuro, e ao mesmo tempo, que a vida me rume, me guie para onde quero ir. Estou disposto a receber o que virá, o que há de acontecer, e não faço ideia do futuro, mas também desejo que a vida me empurre para tudo que deseja, para meus sonhos.

Enfim, que o grito do primeiro parágrafo, o tal de “Nunca mais”, seja apenas um grito, uma forma de catarse, um alívio para alma. Pois uma parte confusa de mim grita que Nunca Mais e outra que Para sempre. Engraçado, não? É o vício da alma, do eu, do nosso ser se apegar as questões extremas do tempo, a polos distantes e opostos do tempo. Porém o nunca mais é nada mais nada menos que mero grito sem sentido, pois como disse, do futuro nada sei e que ele venha. Venha como deve der vir, e que a vida me empurre de encontro a ele realizando as coisas que mais sonho.

Grito para liberar a dor no peito que parece querer cortá-lo e ir de encontro ao além, que saia então rasgando minha garganta, pois meu peito é sagrado, é onde somente eu esmurro quando choro!

A vida é parte certa e parte incerta. É flexível, maleável. Umas coisas que planejamos acontecerão e umas surpresas aparecerão para nos alegrar ou nos jogar ao chão! Deixo um trecho da poesia de um de meus heterônimos, o sábio e velho Eustáquio Nogueira:

"Molhei as mãos, passei ao rosto.
Pareceu-me que o gelado d'água acariciou-me.
Minha alma ali estava,
Não em qualquer outro lugar
Nem sob as posses de um senhor.
E, ali estando alma, a paz invadiu-me.

Não ganhei o mundo inteiro,
Por isso a alma não perdi,
Vivi intenso em um segundo,
Mas ao menos eu vivi!"    (Para ler integralmente esta poesia click em AQUI)


  1.  “Deixa ser como será” é um verso da música “Retrato pra Iaiá” da banda Los Hermanos. 
  2.  “Deixo a vida me rumar para onde eu quero ir” é um verso da música “Filosofia de vida” do grande sambista suburbano da Zona Norte do Rio de Janeiro: Martinho da Vila.

1 Comentários:

thais villalba disse...

Fico com o pra sempre........ o nunca mais parece fórmula de morte!!!!! de solidão.... de dor eterna!!!!!!! o pra sempre trás felicidade a alma!!!!!!!!!!!!!!!!!

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