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20 de abr de 2012

Olhadelas_ por Lucas Gonzaga

Que o rosto dela seja o meu paraíso!






por Lucas Gonzaga

Dei aquela olhadela  e por perceber-me fazendo isso, lembrei-me. Lembrei-me de quando era menino, que expiava a ávida alheia, as discussões dos casais, os colegas apanhando dos pais, as vizinhas no banheiro ao banho e seus belos corpos. Nada fugia a minha olhadela. Olhadela de garoto na cabeça para sempre fica, tão ínfima e sem valor para uns, contudo cada momento deste dão-se as mãos e por assim fazer, faz-se por tornar-se bagagem da infância.

Mas estava tudo embaçado, menos ela ao meu lado. Esta olhadela de agora era diferente, estranha, incômoda. Ela eu via muito bem, a ouvia muito bem também, perguntava se eu estava bem. O que para mim estava confuso, o que me parecia um bando de árvores em volta minha, foi ganhando nitidez. Vi que era o povo, os chamados “curiosos”, aquela era a olhadela do povo. Tinha carro de polícia e até jornalista.

No chão ao lado meu, sangue. Desesperado olhei para ela, não era dela o sangue, somente meu. De súbito alívio, o que fez se tornar alívio eterno. Para o lado outro olhei também, percebi ali um homem, estirado, fiquei com pena. Parecia estar morto, pensei, mal havia pensado nisto, o médico confirmou: óbito! Em suas mãos ainda uma arma, mas logo veio a polícia tirar. Percebi que aquele homem era o bandido, que veio a mim e a minha esposa atacar: continuei sentindo pena, teve todo tempo para mudar, agora, já não havia tempo nenhum para ele, para fazer nada, nem mesmo para curtir um café.

Vendo que eu podia também morrer, dei uma olhadela desesperadamente para o meu amor. Ela continuava ao meu lado, triste, e me dizia, “Você vai sair bem dessa”, ao que lhe respondi sorrindo, “Isso não é filme americano, minha flor. E pare de clichês!”. Sorri de novo e ela sorriu também, disse que eu era humoradamente ácido até em momento tão complicadas como esse em que eu estava. . E então, olhando fundo aos olhos dela vi um mundo inteiro, o mundo onde eu queria estar se tivesse que ir a algum lugar. Ainda olhei todo seu rosto, parte a parte, desejando que se eu viesse a morrer, que aquele rosto fosse meu paraíso.

Ela continuava rindo da minha piadinha, e eu, rindo do sorriso dela. Notou que eu queria falar, ficou quieta e logo lhe falei: “Sorrindo morro e, sorrindo, te peço que viva!”. Dei o tal famoso último suspiro, podendo ainda ver o sorrizinho lindo dela contrastado com um olho em lágrimas, e foi assim que apaguei,

Que o rosto dela seja o meu paraíso!

3 Comentários:

sérgio disse...

Bonito...pincei um trecho que gostei mais:

"E então, olhando fundo aos olhos dela vi um mundo inteiro, o mundo onde eu queria estar se tivesse que ir a algum lugar. Ainda olhei todo seu rosto, parte a parte, desejando que se eu viesse a morrer, que aquele rosto fosse meu paraíso."

Preso por fora disse...

Guida, pena que meu bebê não tem tempo para ver minhas tentativas de declarar amor...

thais villalba disse...

Que lindooooo!!!!! Amor!!!!!!! Eu choro assim.......

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