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25 de jan de 2012

Viagem sem volta





Somos inevitavelmente apresentados, com certa teologia elaborada, a Deus ou a Jesus – ou aos dois como sendo um só – através de alguma religião. Rapidamente nos empolgamos com as reuniões, os ritos, as verdades e o estilo de vida que tal religião nos proporciona.

De um modo muito real nossa religião se torna nosso chão, base pra tudo que faremos, falaremos, deixaremos de falar e deixaremos de fazer. Aprendemos a amar quem nos ama, ser indiferente com os que nos odeiam e separar nossos amigos de acordo com as crenças que apresentam.

No caso particular da facção religiosa denominada cristianismo, que nada fez pra merecer esse nome ou talvez tenha feito tudo pra merecê-lo, Adão e Eva terem sido pessoas que realmente existiram, o Dilúvio, a abertura do Mar Vermelho por Moisés, a morte substitutiva de Jesus e o pão e o vinho serem meras representações do corpo e do sangue de Jesus(ou reais representações, dependendo da facção cristã de que alguém faça parte) constituem o corpo principal, com talvez um ou dois esquecimentos, do credo no qual todo bom cristão deve acreditar.

Faccionando ainda mais, existe a realidade protestante, que torna “não beber, não fumar, não dançar, não transar antes do casamento e assistir a filmes evangélicos” prática disseminada e imprescindível para a conduta cristã, sob pena de exclusão – silenciosamente incômoda – para o rebelde.

Acontece que, em determinado momento, por causa de Deus, de um amigo, de um herege ou de uma ideia, nosso raciocínio é estimulado para uma viagem sem volta. Começamos a perceber que talvez faça sentido prostitutas entrarem no Reino antes de nós; afinal, não importa se você se prostitui ou se alegra com a morte de Bin Laden, já que “quem fere um só aspecto da lei fere toda a lei” ou algo próximo disso. Começo a perceber que muito possivelmente eu sou também o outro. Para uma última prazerosa angústia, descubro que aquele doente que precisa de médico, o filho pródigo que fugiu e o rico que suspirava de alívio por viver melhor que o mendigo Lázaro foram citados para que eu me identificasse, de alguma forma, com – pasmem! – todos eles.

Logo experimenta-se a liberdade de poder conversar com Deus sem ser pragmático; gradualmente somos iluminados a ponto de descobrirmos que o único mérito diante da graça divina é reconhecer não possuir mérito algum.

Companhias preciosas, a curta, média e longa distâncias, aparecem para ser um ombro amigo, enxugar algumas lágrimas e compartilhar banalidades.

Quando a vida não cabe mais nas palavras e nos aproximamos de Deus sem saber ao certo o que orar, é então hora de sorrir despretensiosamente por constatar que nada sabemos, nada temos; e tudo que temos, isso levaremos. Até a consumação dos séculos.

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