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17 de jan de 2012

Educação Humanista ou Programação de Robôs?






por Lucas Gonzaga

Com quase 50 milhões de pessoas com analfabetismo, entre eles analfabetos e analfabetos funcionais, mais a grande parte de jovens que sequer iniciaram ou não concluíram o ensino médio, somado ainda ao modelo de educação retrógrado, largado e sucateado a décadas, sem grandes investimentos ou investimentos necessários ao desenvolvimento da criança e do adolescente: sim, a falta de perspectiva e a ociosidade estarão na pauta do cotidiano. Uma educação voltada ao desenvolvimento das capacidades humanas e valores humanos trará o prazer pelo trabalho e, portanto através deste prazer pelo trabalho a tão discutida inserção social no Brasil.

A visão da tendência pedagógica tecnicista, visão que trás a impressão de que o educando é apenas mais uma peça na grande engrenagem econômica e social, de que o cidadão deve dar tudo de si para a pátria e estar satisfeito de a pátria nada corresponder à ele, deveras que é um fator fundamental na causa do empobrecimento do Cidadão como cidadão (Seja este Criança, Adolescente, Jovem ou Adulto), da sua humanidade e empobrecimento também de sua consciência de coletividade.

No entanto, uma educação trabalhada de acordo com os contextos sociais de cada jovem, onde a arte é componente de igual importância, lado a lado e entrelaçada as demais disciplinas, tendo ainda como essencial os valores da liberdade humana e o prazer de cada humano criar, produzir, reproduzir e desenvolver com suas próprias capacidades, sim, surge o prazer pelo trabalho, estabelece-se gradativamente no aluno o entendimento do valor de cada função das atividades de uma sociedade em movimento. A vida social começará a fazer sentido.

Devo enfatizar que quando digo arte como importante e entrelaçada em todas as disciplinas, não digo apenas da música, artes plásticas, da dança e o tudo mais. Quando um estudante, movido por uma explosão de curiosidade procura informações e mais informações e consegue a partir daí, do encontro com as informações a respeito de qualquer disciplina, a dar hipóteses, a brincar com as informações e montarem suas pequenas teses, claro, cada um de acordo com sua idade, mas quero dizer que tudo isso é arte. Nesta loucura do conhecer, após do conhecimento satisfatório da informação que o estudante procurava, ele poderá brincar e manusear estas informações das mais diversas maneiras. Isto é a culminância, é o “colocar em prática” de alguma forma o que conheceu.



Um exemplo pode ser uma criança que aprendeu “Adição e Subtração” e quando na saída do mercado conta o dinheiro e compara com o preço dos produtos que comprou, percebe que falta troco e explica isso ao caixa do mercado. Sim, isso é uma explosão, isso é a produção, trabalho, manuseio, manipulação a partir do que se conheceu e, todo manuseio benéfico do que se conheceu: é a mais pura arte! É provável que um cientista sinta-se assim.

É dever de todo professor instigar seus alunos a serem detetives, a provocar nos alunos uma curiosidade compulsiva, a ponto de questionarem o próprio professor. Quando o professor começar a ser questionado, então ele pode se certificar de que está cumprindo sua missão.

A curiosidade pode ter matado o gato, mas fez a humanidade galgar patamares bem altos e a fazer descobertas sublimes: não somos reles animais como um gato!
  
Desta forma, que não é um modelo fixo, pois com novas descobertas das ciências da educação sempre haverá o que se agregar aos antigos conceitos, ou até mesmo destruir antigos conceitos, crianças e adolescentes terão incutidos tanto o valor de si como seres individuais e suas importâncias, quanto também a consciência de que não somos meras peças da máquina social que funciona para enriquecer os ricos e dar esmolas aos pobres, porém a consciência de que somos organismos vivos e pulsantes que com a prática da liberdade, uma sociedade que se faz com cooperação em detrimento da competição, com solidariedade, respeito e cuidado dos seres para como todos os seres, pois todos são sumamente necessários para a vida desta grande Roma tropical, isto é, o Brasil nas palavras de Darcy Ribeiro, e necessários para a grande casa Terra.

A educação é sim para o trabalho, mas para o prazer e consciência da necessidade e do papel dele para cada ser humano e, portanto, a grande forma de inserção social. No mais, fica a máxima de Paulo Freire: “Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: todos libertam-se em comunhão!”.

2 Comentários:

Cid@ disse...

Ótimo texto. Importante reflexão sobre Educação, educação para que? O texto só vem a validar uma das grandes frases de Albert Einstein :"A IMAGINAÇÃO É MAIS INPORTANTE QUE O CONHECIMENTO."

Thaís Villalba disse...

Muito bom o texto!!!! De fato: A curiosidade pode ter matado o gato, mas fez a humanidade galgar patamares bem altos e a fazer descobertas sublimes: não somos reles animais como um gato!

Isso é importante demais: a consciência de que não somos meras peças da máquina social

Esse texto me fez lembrar minhas aulas!!!! História da América!! História do Mundo Contemporâneo.... Antropologia!

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