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29 de dez de 2011

Vender o peixe da liberdade dá certo






Tive que voltar.

Já me preparava pra trocar de roupa e dormir - acordo cedo amanhã - quando, após matéria do Jornal Nacional sobre Cuba(a última da série), precisei religar meu computador e escrever este texto.

Que o mundo material determina grande parte do que a gente vê deveria ser óbvio. Isso não quer dizer que cultura não possa gerar cultura, movimento político não possa gerar movimento político, etc. Mas, em todas essas transformações, a base material é imprescindível para se obter uma análise mais acurada sobre a sociedade.

Não bastassem as notícias sobre a Coreia do Norte, a Globo inventou de fazer uma semana de matérias sobre Cuba. E, novamente, a conversa sobre liberdade.

Aqui no Brasil capitalismo e democracia não se falavam muito. Precisamos de ditaduras para o capitalismo se fortalecer como modo de produção(Getúlio Vargas em 1937, os militares em 64). E realmente liberalismo econômico e democracia foram postos juntos recentemente em todo o mundo. Podemos observar todo um Estado e um ordenamento jurídico democrático-burgueses em vários países do Ocidente. Novamente, uma superestrutura(no caso, o regime político e o ordenamento jurídico) sobre uma estrutura material(o capitalismo). Impossível analisar os primeiros sem olhar para o segundo. Um exemplo é o cômico "todos são iguais perante a lei", que iguala proprietários(dos meios de produção) e não proprietários frente ao Estado. Porém, quando voltam ao seu cotidiano, um é fatidicamente mais forte que o outro; quando disputam judicialmente, um é absurdamente mais forte que o outro.

O fato é que não só essa superestrutura se assenta sobre a estrutura econômica, mas os próprios donos dos meios de produção(a saber, os burgueses) "vendem o peixe" dessa estrutura chamada democracia. Uma capa de regime político "bacana" - a democracia - é colocada sobre o que há de mais destruidor e desumano - o capitalismo. O resultado é um bando de gente que olha pra Cuba, Coreia do Norte e China com maus olhos - igual a mim, porém por motivos diferentes.

Concordo que os países ditos comunistas até hoje foram mero "capitalismo de Estado". Socialismo até tivemos; comunismo nunca houve. Porém a análise da Globo e de toda a grande mídia - que estão a serviço do grande capital - é olhar para os EUA e União Europeia como jardim do Éden da liberdade, igualdade e fraternidade, enquanto que desprezam por completo os diversos pontos fortes que países ditos comunistas apresentam - ainda que sofram embargos de superpotências capitalistas.

E não é que deu certo? Quando acabou a matéria, meu avô se virou pra mim e disse: "Raoni, você mora no paraíso."

Melhor que te fazer acreditar que os EUA são Deus e Cuba é o diabo é te convencer de que o Brasil é o paraíso.




RT


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