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11 de dez de 2011

Marxismo é uma religião?_ por René de Kart



Como toda semana, um texto de alguém que não seja escritor do blog Preso por Fora. Um pedido: preciso de sugestões toda semana, só mandar um comentário com o título de "Texto externo" e após, o link.

Em Observatório Político

Numa entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1996, Noam Chomsky foi questionado pelo entrevistador sobre a contribuição atual do Marxismo. O famoso linguista respondeu, com suas palavras, que Marx tinha feito erros e acertos e que não era uma santidade que deveria ser seguida religiosamente. Disse quedeveríamos pegar as boas idéias de Marx e descartar as ruins e que não se encontrava na física pessoas que se declarassem “einstenistas” por seguirem o pensamento de Einstein da mesma maneira que no campo das ciências humanas algumas pessoas se declaram marxistas.

Temos “marxistas” que só leram o “Manifesto Comunista” e em seguida se declararam marxistas. Ler Marx é um trabalho que exige muito esforço mental e maturidade de idéias que, mesmo que o grande filósofo tenha procurado se dirigir as massas, é compreensível apenas àqueles que se disponham a entender a dialética hegeliana e o mundo pós-revolução industrial do século XIX. Marx era um homem de seu tempo e não dá para repetir todas as suas idéias no mundo atual.

O “O Capital”, obra mais famosa de Marx já foi resumido por diversos autores até mesmo atendendo aos pedido de Karl Marx e Engels dada a sua complexidade perante a classe operária. Quem quiser arrotar um falso marxismo pode se servir de termos famosos como “mais-valia” e “reificação da mercadoria”. Também pode defender a ditadura do proletariado e um socialismo anti-burguês, mas estará apenas repetindo mantras vazios e simulando um entendimento raso sobre Karl Marx.

Aliás, pela definição dos atuais marxistas, Karl Marx não se enquadraria neste seguimento. Karl Marx não poderia ser considerado marxista porque toda a sua luta foi no campo teórico e, quando a água batia na bunda, lá estava o seu amigão Engels para socorre-lo. O filósofo que tanto criticava a burguesia sempre se amparou em um amigo burguês que dividia a autoria em seus escritos.

Acredito que as pessoas que se declaram marxistas não compreendem nada da obra de Marx. São iguais às pessoas que se declaram cristãs mas nunca se debruçaram sobre a Bíblia e muito menos se dispuseram a fazer caridades. Ao invés de Marx ser interpretado através de uma visão científica pelos auto-declarados marxistas, seu entendimento quase sempre se faz por uma subjetividade messiânica e ausente de críticas por seus adeptos.

O grande lance em ser marxista não é entender Marx, mas sim ostentar sua figura e colocar toda a sua fé nas idéias deste filósofo, seja lá quais forem. É quase uma “terceirização” das opiniões onde um marxista interpelado sobre as idéias de Marx pode simplesmente apontar o “O Capital” ou “A Ideologia Alemã” e dizer com ar superior que as pessoas devem seguir as idéias de Marx. Lembra os religiosos que se agarram na Bíblia para pregar virtudes que não possuem.

Seria o marxismo apenas uma religião?

6 Comentários:

Anônimo disse...

Pós-Modernismo é uma religião?

Preso por fora disse...

Pq a pergunta se não há nada no texto?

eliana disse...

Por que a exigência de ler toda a obra de Marx? Talvez seja para nos sentirmos distantes da análise da relação capital/trabalho? Talvez para nos emburrecer na origem?
Não concordo. Leiam o que puderem e se instrumentalizem para melhor agirem no mundo em que vivem!

Mas, Marx é fundamental!

Preso por fora disse...

Ler a obra para sentir-se mais distante? Acho qu eé o contrário, para ter mais fundamentos. Mas como o autor do texto disse, existem as obras de marxistas que resumem a obra de marx.

O que nãio dá é ficar que nem crente que não lê a bílbia e só ouve pastor, isto é, o que não dá é ler insuficiente ou nada e ficar ouvindo lider de partido te engano. POr exemplo, como integrantes do PCdoB conseguem acrediatr que seu partido é comunista? É uma piada, né... É muito óbvio que não é.

Anônimo disse...

Concordo em parte com a abordagem da crítica, mas a forma como foi ela feita me pareceu mais teimosia do que uma crítica em si. O marxismo e os "marxistas de fato" não tem nada a ver com a imprudência de pessoas que se dizem marxistas sem o serem.

Ser marxista é ser conhecedor da teoria marxiana e tê-la como inspiração. Ou seja: conhecer a sua economia política, a sua sociologia, os seus principais conceitos teóricos e usá-los para construir outros pensamentos, (como Gramsci, Althusser, Zizek, Negri, etc). Há muito capitalista "marxista".

Ser comunista ou se SENTIR comunista tomando como referência o "Manifesto Comunista" de Marx e Engels para contestar suas "condições materiais" ou para inspirar sua prática política, e de forma racional ou apaixonada basear nele o seu discurso político é OUTRA coisa. Muitos se encaixam nos dois casos, mas não se deve confundi-los.

Realmente revira o estômago ver um discurso como o do PC do B, na verdade até bem organizado e às vezes coerente, mas que na prática se revela muito contraditório. É quase um escárnio à teoria marxiana.

Na verdade o sistema partidário existente é um sistema político capitalista. O que disputa o poder eleição a eleição é a manutenção do capitalismo. Não há como seguir impecavelmente a ideologia comunista dentro do sistema capitalista. Não há como disputar eleitorado, e ao mesmo tempo seguir corretamente princípios e ideologias contrárias ao capitalismo.


A pergunta final seria: como ser comunista num sistema capitalista? Como contestar um mundo que define as sua vida, o seu dia-a-dia (suas condições materias) de forma contrária aos seus princípios? Acho que essa pergunta nunca foi respondida completamente.

Anônimo disse...

"Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense."
(...)
"Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo."
(...)
"O termo ****chomskiano**** é habitualmente usado para identificar as suas idéias linguísticas embora o próprio considere que esses tipos de classificações (chomskiano, marxista, freudiano) "não fazem sentido em nenhuma ciência", e que "pertencem à história da religião, enquanto organização"."

Em: pt.wikipedia.org/wiki/Noam_Chomsky

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