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21 de dez de 2011

Ganância, corrupção e protesto: qual o rumo do planeta?


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A pouco falei sobre Democracia Real e o que exatamente me inspirou foi a crescente quantidade protestos em todo o mundo. Muitas pessoas se manifestam no Brasil, na Síria, Tunísia, Chile, E.U.A, Londres, Rússia, Líbia, Egito e outros tantos locais. Algo está errado, os trabalhadores estão perdendo seus direitos, a pouco que aposentados ganhavam se aposentarão. O que mais me espanta é a truculência dos Estados que enviam seus policiais e até mesmo as forças armadas para impedir.

No texto anterior o que ressaltei é que, por mais que venhamos a ganhar consciência, nos manifestarmos, optarmos, desenvolvermos e até mesmo criarmos nossas ideologias, projetos, ganharmos nossas certezas, algo continuará errado. Apontei certamente que o que ainda dará errado é o nosso modelo de democracia que, com certa "liberdade" de voto que temos, mesmo assim o sujeito eleito chega no poder e tudo quanto nos identificamos nele fica sempre para a próxima. Isto é, é uma democracia representativa onde não há poder de veto, apenas de vota, não dá para punir com facilidade aquele que não nos representa. Em suma a frase do Eduardo Galeano exlica tudo:


A verdade, e faço questão de ser veemente nessas afirmações, é que todo nosso imposto é pago para ser usado contra nós mesmos. Seja sendo usado diretamente através de porretes, armamento, sprays de pimenta, bombas de efeito moral, ou então por falta de uso da verba em hospitais, educação, etc.

Gandhi, um gigante do pacifismo disse que para derrubar um governo, basta que tomemos ao menos 3 atitudes: Não nos alistar em forças armadas, colher e plantar da própria terra, não pagar impostos.

A maioria dos componentes das forças armadas são pobres, vieram de lugares carentes, ou seja, são na maioria das vezes nossos vizinhos e, no caso de quem esteve no fenômeno de ascensão social, foram um dia seus vizinhos. Usam da gente contra gente. Nos recrutamentos os teriam para receberem ordens, para "defender a nação"... Lembra-me até um relato de Tosltói sobre o exército Russo ainda na época dos Czares. Dizia Tolstói que um soldado apenas estava pronto para ser efetivado e ir a serviço se respondesse a uma certa questão: " Se ordem for atirar nos próprios pais e irmão ou filhos, assim o farão por amor a Rússia?".

Plantar e colher da própria terra são tarefas quase impossíveis como forma de protesto no Brasil, pois segundo dados do INCRA 1% dos proprietários brasileiros são donos de 53% das terras, se contar ainda as terras que são do governo o que nos sobra? Você realmente crê que possuem estas terras por esforço do próprio trabalho destes proprietários? É óbvio que não, se utilizam do trabalho dos outros para que, assim lucrando, comprem seus bens ou mesmo, foram doadas. Em A formação da Elite Colonial no Brasil, Rodrigo Ricupero ensina como as terras foram distribuídas e os impactos que isso gerou.

“O primeiro homem que, havendo cercado um pedaço de terra, disse “isso é meu”, e encontrou pessoas tolas o suficiente para acreditarem nas suas palavras, este homem foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassínios, de quantos horrores e misérias não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando os marcos, ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: Livrem-se de escutar esse impostor; pois estarão perdidos se esquecerem que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!”
— Jean Jacques Rousseau, O contrato social (1762)


E os impostos como já dito tornam-se armas contra nós mesmos seja diretamente ou por omissão de seu uso.Luciano Dantas ao refletir sobre como enfraquecer o governo diz que Não participar, negar-se a pagar impostos e denunciar os procedimentos corruptos e populistas dos atuais governos, poderão à médio prazo modificar profundamente o quadro atual. Sim, entendo, mas como não pagar impostos se estão todos eles embutidos em todos os produtos? E se enfraquecermos o estado, sobrarão as grandes e poderosas empresas. Se enfraquecermos um, devemos então procurar enfraquecermos outros e se, como eu, adotarem a linha pacifista de anarquismo, crerão que o sensato seja então começar por fora das empresas, isto é, montando concorrência. Talvez alguém ache um absurdo esta idéia, preferem alguns matar os donos das empresas, loucura, anti-liberdade e contraditório querer libertar com opressão. 

É para a liberdade que se liberta e com a liberdade. E como diz Paulo Freire, "Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: todos libertam-se em comunhão". Portanto, o início disso tudo começa sempre com o diálogo. E esse fervor do diálogo já acontece nas redes sociais, pessoas se conhecem, formam grupos, e até mesmo encontram-se e criam projetos, etc. Mas o que pode enfraquecer as grandes empresas após o enfraquecimento do Estado, empresas esta, aliás, que são os motivos das ditaduras, das recessões, das crises, dos gastos absurdos para salvá-las, dos cortes de direitos trabalhistas. A alternativa aplicável é o cooperativismo ou autogestão: http://pt.wikipedia.org/wiki/Autogest%C3%A3o

Enfim, o mundo está num fervor político propício ao debate, ao diálogo, as contestações. Surge uma nova sociedade. Nas dificuldades é que por necessidade são superados os limites tendo criado alternativas viáveis, estimulado por pelo choque, pelo conflito, pela contradição é que novidades podem surgir. É mudança de época e tempo oportuno para que venhamos a desenvolver novos projetos econômicos, uma nova pedagogia, usar arte que é mais subversivo que a prosa para transmitir  valores.  

Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana._ Bakunin

Lucas Gonzaga

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