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9 de dez de 2011

Entrevista com o poeta suburbano Eustáquio Nogueira _ Parte 1


 
Eis aqui uma breve entrevista com Eustáquio Nogueira, velho amigo, conselheiro. Os temas aqui irão girar em torno de nossa última conversa na casa dele.

Seu Eustáquio é Doutor em Psicologia, foi professor por quase toda sua vida tendo sido em maior tempo em faculdades. Escreveu muitos livros e os lançou/vendeu de forma independente entre amigos, alunos, companheiros de trabalho e os que se interessavam.


Eustáquio diz que não fez voto de pobreza, mas voto com os pobres. Moldou toda sua maneira de ensinar, de falar, de escrever, pois tem como objetivo a comunicação com qualquer tipo de pobre: pobre de espírito, pobre financeiros, pobres em educação,etc., procura o diálogo. Declara gostar muito de clinicar como psicólogo, mas nem sempre pôde cumprir este papel. Entre aulas, palestras e livros seu tempo ficou muito reduzido. Após abandonar o meio acadêmico é que basicamente começou a clinicar, cansou do meio acadêmico, apesar de ser muito grato. Foi militante socialista por um bom tempo, porém com receio do que denomina a "Terrível busca do poder", no entanto hoje se diz anarquista. Além de professor e psicólogo é também poeta e, aliás, o primeiro poeta do Blog Preso por Fora!



Não quis disponibilizar foto de si, pediu para colocar esta foto do movimento estudantil de 68, pois esteve lá.


"Amor que me move a mover,

Que em mim me ajuda ajudar,

Me conduz à tão bela justiça,

Donzela, donzela que pouco aparece,

Minh’alma esmorece de tanto esperar.

Ou fica o Poder ou fica a Justiça,

Me disse o Amor que me faz tanto amar" 

_ Eustáquio Nogueira em "Amor que é Amor"



 Preso por Fora:  Seu Eustáquio, boa noite, para começar, podemos então abordar então o assunto internet. Estão acontecendo protestos em todo o mundo contra a crise mundial, contra o capitalismo ou contra este tipo de capitalismo. Sabemos que foram organizados por redes sociais as manifestações na Espanha, na Grécia, na Inglaterra, nos Estados Unidos, Egito, Tunísia, entre outros... Vê com bons olhos?

Eustáquio: Meu garoto, péssimo começo (risos). Sabe que não consigo me adequar ou me acostumar a certas tecnologias. Por mais que eu já tenha tentado, consigo mexer pouco no computador e nada na internet. Mas vamos direto ao ponto. Pelo que entendi, o ambiente que anteriormente restringia apenas ao ambiente universitário, agora se espalha a qualquer lugar pela internet. Aliás, foi um universitário que inventou o tal facebook.
Pelas notícias que tenho do seu site, você tem promovido o debate, o diálogo, a reflexão e pelo até jeito, que conheço muito bem, sei que deve insistir no debate mesmo que haja divergência. Quantos vezes quis parar uma conversa com você e você me disse “Dá para gente continuar a conversa, mesmo com discórdia, nem que seja mais tarde.” Bom, assim foi na faculdade por tantos anos da minha juventude, vejo algo parecido na internet e o desejo é que assim continue. O que não se pode é ficar inerte, deixando que empresário e seus tentáculos, isto é, governos, encham seus bolsos e nós, trabalhadores, que produzimos toda esta riqueza, fiquemos parados.

Exerçam o máximo a liberdade na internet, nem digo democracia, digo liberdade. A liberdade que der para exercer: exerçam! Pois tenham em vista que democracia, no Facebook ou em um governo não podem ser exercidas se há algum tipo de regulação que não seja a do próprio povo. Facebook tem dono e seus meios de coerção e os governos têm donos e seus meios de coerção.


Preso por Fora: Qual a importância que dá à poesia e a arte em geral na vida social, econômica, política das pessoas, ou até mesmo para promover liberdade, para conscientização?

Eustáquio: Bom meu caro, fundamental. O que não é arte é que não tem o sentir positivo. Quem realiza o ruim e nisso se satisfaz, o faz para suprir impulsos que lhe aprisionam, ou seja, são também oprimidos. Pessoas ruins não fazem poesias,não fazem arte, apenas os perdidos e maltrapilhos fazem a arte. Se por um acaso calhar de ver algo que chamam de arte, porém tenha feita por alguém sem caráter, tenha convicção de que aquilo não é arte, no máximo é alienação com ar artístico.

A arte não apenas é a exaltação da beleza como também é o promover da beleza. E tudo que é bom é belo. A revolta tem beleza, pois é necessária e provida de benignidade, de bondade se dirigida efetivamente sem desviar-se. Viver é arte, somos artes em movimento, artes ambulantes. E há aqueles que captam esta arte e escrevem, ou a colocam como música. A pedagogia pode ser arte, a ciência pode ser arte, a filosofia também: questão de linguagem apenas. A arte apenas pode ser arte se houver uma idéia e esta idéia tem que causar o sentir no poeta ou em qualquer outro artista. E é isto que acontece, olho pessoas no trem apertado e isso me faz refletir sobre situação política, logo ao fazer com que se confrontem a reflexão e o sentimento que a situação referida me dá, surge a arte. No meu caso a poesia.

A relação reflexão/sentimento acredito ser a dialética da arte.

Continuaremos com os temas: Religião, Anarquismo & Solidariedade, Homossexualidade e Corrupção.

2 Comentários:

Fabio Thithola disse...

Nossa!!! Muito obrigado por esse post! Sempre pensei nisso sobre a arte, mas nunca consegui colocar em palavras tão precisas. Um grande salve ao Seu Eustáquio e ao Preso Por Fora!!!

Preso por fora disse...

Fabio, ainda temos a parte 2, mas se eu achar que ficou grande, terá então a parte 3. Seu Eustáquio é gente fina, bem tranquilo no canto dele e tímido e ao mesmo tempo gosta do povão e da multidão de Bangu e de Madureira. As vezes sai do Recreio para encontrar tumulto. Diz no caos suburbano escreve melhor. Como me conhece desde pequeno, me influenciou muito.

Abraços!

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