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23 de nov de 2011

Sequestrados Navios de Guerra no Rio de Janeiro


       A tensão domina a população Carioca, o que irá acontecer? Um bombardeio? Iremos todos morrer? O exército se mobiliza, os fuzileiros se preparam e tomam posição. Porém que poderá com tão grandes e poderosos navios? Dizem que um bravo negro se encontra na liderança, usando um lenço vermelho em volta do pescoço que o identifica como comandante do Navio, aliás, estão chamando o negro de Almirante!

       No dia 22 de Novembro foi sequestrado um Navio de Guerra no Rio de Janeiro, um grande Navio, um dos maiores, se não, o maior. Tudo aconteceu após o cansaço dos marinheiros a respeito do tratamento racista e desumano. João Cândido foi quem liderou a Revolta, um Aldir Blanc e seu amigo João Bosco o chamam de Almirante Negro, uma ofensa para algumas pessoas de alta patente aqui em nosso país. Um Almirante Negro? O Almirantado, pode-se afirmar, é o patamar mais alto na hierarquia Naval, isto é, na Marinha Brasileira.

        A Rebelião já era a planejada fazia 2 anos e teve sua execução no dia 22 de Novembro, dois dias antes do planejado por motivos que despertaram a ira em todos os marujos.

         Relatos de João Cândido, o bravo herói que conduziu junto com Mão Negra toda esta insurreição:

         Pensamos no dia 15 de novembro. Acontece que caiu forte temporal sobre a parada militar e o desfile naval. A marujada ficou cansada e muitos rapazes tiveram permissão para ir à terra. Ficou combinado, então, que a revolta seria entre 24 e 25. Mas o castigo de 250 chibatadas no Marcelino Rodrigues precipitou tudo. O Comitê Geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. O sinal seria a corneta das 22 horas.

          João Cândido não entrou para a história a toa e sim como um dos únicos  autênticos heróis populares, um marinheiro rude que deu uma lição de Humanismo  para um Congresso Nacional que vivia de cócoras, diante do "senhor todo-poderoso", o Senador Pinheiro Machado, que diante dos canhões dos navio sublevados pediu para que o congresso votasse pela anistia, na verdade, embuste para os rebeldes da magnífica rebelião de 1910. _ Adaptação de um trecho do livro de Edmar Morel, A Revolta da Chibata.


    
     Apesar de ser contra a violência, contra movimentações de rigor com armamentos deste porte, onde se encontravam muitos navios sob o comando de um líder, muitas vezes em minha reflexão leiga apenas vejo, em certos casos que parecem não ter solução, a violência ou a quebra da lei como solução. A respeito da violência deixo claro desde já que mesmo tendo este pensamento, me nego a concordar de que ela - a violência- deve ser realizada. Já a respeito das as manifestações onde é preciso a quebra de leis, circunstancialmente costumo apoiar, como, por exemplo, o caso dos Bombeiros do Rio de Janeiro que quebraram muitas regras do Código de Conduta Militar. Os bombeiros apenas tinham isso como alternativa viável ao menos para chamar atenção da população contra a fraude que é Sérgio Cabral. Que alternativa os Bombeiros possuíam? Esperar a boa vontade do Governador Cabral? Para maiores informações, tenho que dizer que nada conseguiram de aumento salarial efetivo até agora.
    

   De igual modo penso sobre os Marinheiros que se rebelaram em 22 de Novembro de 1910. A chibatada era freqüente e por qualquer erro. Tem noção do que é uma chibata? Imaginem, meus caros: 250 chibatadas!

        Segundo o Wikipédia, “a chibata é um instrumento de castigo constituído por um bastão terminada em uma lingueta de couro. É um instrumento de condução usado tipicamente na equitação Distingue-se assim do chicote”. Só que, o usado com humanos para castigo, muitas das vezes tinham pregos e ganchos pontiagudos que puxavam lascas da pele.

        Parece-me a única opção que João Cândido e os marinheiros havia para recorrer, tomar os navios através do motim. Lamento pelas mortes de oficiais que se recusaram a sair do Navio Minas Gerais e a morte de Marinheiros que se opunham a rebelião, mas acredito ter sido necessário.

Evaristo de Moraes (1871-1939), advogado criminalista e historiador brasileiro, diz:

           Quando, no começo do governo do Marechal Hermes, explodiu a revolta chefiada por João Cândido, admirei, como todas as pessoas libertas de preconceitos, a habilidade técnica do improviso almirante, fazendo evoluir os navios, a sua capacidade disciplinadora, evitando a alcoolização dos companheiros, e a generosidade de que sobeja prova, não atirando cruelmente contra a capital da República.

 A principal exigência de João Cândido era o fim da Chibata, outras importantes eram o aumento dos soldos e estudo garantido, e agora, depois da revolta, também a anistia. 

Lucas Gonzaga


Na Velhice, morando em São João de Mereti

Para saber mais sobre João Cândido click AQUI






















Fica também a musica de Aldir Blanc e João Bosco:


                                                  Mestre Sala dos Mares













2 Comentários:

Maite Santamarta. disse...

Lucas, gostei muito da homenagem ao almirante negro João Candido, página de nossa história que poucos conhecem. Parabéns, o texto é muito bom e elucidativo.

Preso por fora disse...

Maite, cada vez que olho me sinto tentado a colocar mais detalhes... mas deixa como etsá, a inteção é não deixar o pessoal que não conhece a hostória satisfeito. Estou descobrindo o segredo Freireano de como causar curiosidade... Abraços!

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