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27 de nov de 2011

Reunião da Conspiração Gay: consegui me infiltrar!






Caros leitores, estou possuído da mais absoluta certeza de que muitos ficarão pasmos com tudo que irei dizer: consegui me infiltrar em uma reunião de Conspiração Gay. Meu coração foi a mil por dois motivos, o 1º é que eu tinha medo de ser descoberto e sei lá, de repente ao ser descoberto ter que receber alguma espécie de tortura sexual! “Tá amarrado, né?”, o segundo motivo do porque que meu coração foi a mil foram os absurdos que vi e ouvi. Os Gays realmente querem acabar com a família, querem absurdos de privilégios, estão até formando um plano para que surja um(a) presidente Gay! Estamos perdidos senhores, perdidos. A humanidade irá acabar! O que me deixou mais tenso é que para entrar eu teria que provar que era Gay e de uma forma muito constrangedora, no entanto me safei ao inventar um tanto de doenças: suspirei profundamente aliviado ao perceber acreditaram em minha lorota! Ufa!

Bom, tudo isso acima seriam as discrições de algum retardado difamador, que nunca se aproximou para saber o que ocorre, e claro, nem tem interesse, o que importa mesmo para os ignominiosos sujeitos é inventar e falar mal mesmo. Tudo isto consiste naquela mesma briga de raças, de que uma é superior e a outra inferior, uma é fruto do pecado e a outra não. Assim essa briga era levada nos E.U.A, as igrejas também tinham uma tal de “base bíblica” para afirmar a inferioridade do negro. Mortes e violências aconteciam constantemente sem mais nem menos, muitas das vezes simplesmente pela circunstância de um negro não levantar-se automaticamente quando um branco entrasse no ônibus.

 Todo este clima conspirativo foi inspirado no último discurso do Deputado Marco Feliciano, discurso que tive o desprazer de ler, um pedaço aqui:


“Trata-se de uma CONSPIRAÇÃO! Sim senhoras e senhores! Uma conspiração contra o certo, contra a família, contra a continuidade da existência humana!”, disse ele.


Bom, na verdade o que aconteceu foi muito pelo lado contrário, ninguém me molestou, não havia nenhuma cena de bacanal no estilo grego ou romano, para dizer a verdade, estavam todos parados de mais.

 “LGBTfobia, eu não curto essa idéia”, foi o que li logo que adentrei ao recinto onde seria comportado o evento em que estaria em pauta a questão do preconceito. Este slogan estava no centro da parede atrás da mesa de debates, que, aliás, quando cheguei ainda estava vazia. Havia até aquela mãozinha do Facebook com o dedo polegar, só que, com o dedo polegar para baixo, referente a parte do slogan que diz “Não curto”.

O evento foi organizado pelo Grupo Fala em Foco, que segundo a própria discrição em seu site, diz que:

“O Fala em Foco é um projeto organizado por graduandos do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Projeto, esse que visa promover, através de eventos e debates interdisciplinares, uma maior visibilidade e interação de grupos e movimentos sociais com os estudantes e a comunidade no geral.”

Presentes na mesa de debates estavam: a Professora de Literatura da UFRJ Georgina Martins, que representava o grupo Mães da Igualdade; Marcelle Esteves representando o Grupo Arco íris; Marcos Vinícius que é Professor do Departamento de Direito Civil da UFRJ...

Antes da mesa de debates entrar em ação, esquetes foram encenadas pelo Grupo Arco Iris, que são compostos por 2 grupos internos: Laços e Acasos & Entre Garotos. Em uma das esquetes, cena instigante onde dois alunos, uma menina e um menino com idades em torno dos 15 anos, fazem suas reivindicações com o professor do colégio que estudavam, aliás, professor apático diante das humilhações provocadas através de “brincadeiras” por parte dos alunos. Estes dois alunos, homossexuais, pediam para que o professor tomasse uma posição para que os demais alunos respeitassem a sexualidade dos 2. O professor, com aquela postura como quem fosse neutro, dizendo que respeita, que não tem nada contra, pedia aos 2 alunos que fossem mais discretos, que fossem como camaleões, isto é, que se camuflasse. Na cena os alunos até tentaram argumentar, mas sabem, não é? O professor é, como sempre, a autoridade máxima, é o sujeito que diz a última palavra.

Após esta cena, uma dinâmica interessante foi proposta: Integrantes pediram para que pessoas da platéia participassem no lugar dos alunos tentando argumentar com professor. Demorou um pouco para que alguém aceitasse, o auditório estava um pouco contido, tímido. Uma pessoa do auditório até emitiu opiniões, mas nada de alguém participar. Até levantaram-se 2 pessoas, uma inclusive a Profª Georgina, mas antes disso em dado momento uma das integrantes do grupo pergunta se havia no auditório algum heterossexual. E lá estava eu, o único a levantar a mão, mas envergonhado não fui participar, porém colocando-me no lugar dos dois alunos, que recebiam discriminações e agressões, constantemente, eu teria bastante o que argumentar contra o péssimo professor da esquete. Todavia como já disse, fiquei meio envergonhado. Minha habilidade com o público se restringe a relação escritor-leitor, não sou bom na oratória, gaguejo, embolo tudo, (risos). Uma excelente dinâmica proposta pelo grupo!


O grupo teatral apresentou as esquetes antes da mesa de debate, que, aliás, foi  empolgante. Todos os integrantes da mesa falaram, explicaram um turbilhão de informações interessantes, e em seguida o auditório começou a reagir, perguntar, dizer suas opiniões. Aí já não mais havia cerimônia, a democracia, palavra muito usada no evento, foi exercida naquele dia. O tema Religião foi abordado, e eu, claro, fiz meus comentários. Foi abordado também os caminhos e entraves Jurídicos no Brasil, e ainda, o lado que mais gostei, uma abordagem familiar da Professora Georgina. A professora Georgina falou da criação de seus filhos, um deles homossexual, como pai e mãe o ajudaram em sua caminhada, explicou a proposta do Grupo Mães pela Igualdade, contou casos em que partiu na defesa de homossexuais ou mesmo em que teve que intervir em situações dos mais diversos preconceitos e opressões.


Enfim, foi uma reunião pelo oprimido, seja ele quem for, mas no caso específico: homossexuais! Se não há conspiração, e de fato não há, eu proponho que nasça uma. Martin Luther King organizou protestos e  mais protestos com um forte teor humanitário e político, e acredite, organizou até boicotes. Simples, negros pararam de usar ônibus. Em dado momento acharei necessário que homossexuais e oprimidos em geral unam-se e cheguem até a organizar boicotes. Que façamos listas de empresas, estabelecimentos comerciais, etc., onde houve alguém vítima de Homofobia, Racismo... O caminho de Martin Luther King  e Gandhi, caminho pacífico e eficaz, é válido para os dias de hoje!  

Termino com o que proclamaram, todos juntos, os integrantes do grupo de teatro no evento, de mãos dadas, todos vestidos de preto, homens e mulheres:

Você é heterossexual?

Você fez esta opção?

Você realmente acredita que eu escolhi,

Apanhar na rua,

Ser xingado na escola,

Ser expulso de casa pela minha própria família?

Eu posso viver o meu amor, o meu desejo ou escondê-lo,

Mas sempre serei o que sou.

Homossexualidade é orientação sexual,

Uma das expressões das sexualidades humanas!



Lucas Gonzaga

13 Comentários:

sérgio disse...

Pois é...o mundo ainda "marcha" no ritmo absurdo da ignorância e de valores arcaicos; ainda bem que tem muita gente que pensa diferente!

Preso por fora disse...

Vlw Guida... Guida, você não tem umas poesias para colaborar, não? rs Sou abusado, né?

Jorge Noronha disse...

Acredito na eficácia da atitude, independente de grupos disso ou dakilo. Os espaços são, d fato e d direito, conquistados e assegurados qdo me respeito e ao outro. Meu medo é q ações como essas tornem-se meramente política como td neste país.

Preso por fora disse...

Jorge Noronha, meu medo é exataemnte o contrário, é que as lutas não se tornem políticas. Não exista luta ou interesses socias que não sejam politicos.

Milene. disse...

Eu não tenho nada contra gays, tenho vários amigos, os quais adoro e respeito. Sou contra esse estardalhaço todo, essa exposição gratuita, esse "faço questão de mostrar que sou gay, porque agora sou subsidiado prá isso". E acho que tinham que deixar nossas crianças em paz, prá que elas cresçam como tem que crescer, sem esse incentivo, estímulo, essa promiscuidade. Que é já nasce feito e tem que ser respeitado, como qualquer outra escolha, ,mas parem de se impor como regra.Pelo jeito, temos que ter vergonha de ser heteros agora.

Preso por fora disse...

Milene, homossexuais não estão tentando se impor como regra, mas como Lei. A lei está desigual, apenas protege heteros. Tem que proteger pessoas de qualquer sexualidade, raça ou religião.

Não entendi a respeito de crianças. O que as crianças tem a ver co a históriat toda? Sou professor e defendo que os professores devem ensinar as crianças a respeitar homossexuais e ter respeito por qualuqer pessoa.

cleide correia disse...

Eu concordo com a Milene, também tenho amigas e não as vejo com holofote, levam a vida delas, estudamos juntas, frequento a casa e tudo bem. Errado bater e maltratar qualquer pessoa, e me desculpe mas me sinto constrangida quando tenho que partilhar certas cenas de "ei, olha eu aqui", acho que não tem necessidade. Agora tenho até medo de me expressar, tudo é homofobia. Temos escolhas, esse é o legal da vida, mas estão tomando o mesmo discurso daqueles que vocês condenam. Prestem atenção em seus discursos. Generalizam tudo...Ei releiam suas falas, desigualdade existe sim e vamos combate-la mas se também imponho logo só quero o lugar do outro...conscientizar não é tirar o direito do outro, lembra?

Preso por fora disse...

Cleide Correia, você disse "Ei releiam suas falas, desigualdade existe sim[...]".

Quem escreveu o texto sou eu e não sou homossexual.

Conscientizar não é tirar o direito do outro, desseste bem. Homofóbicos e desinfomados estão impedindo de que Justiça seja feita a homossexuais, de que tenham seus direitos.

Anônimo disse...

Eu sou hétero e acho que a vida do homossexual é difícil demais, e ainda tem uns monstros na pele de cordeiro querendo pagar de heróis da família, ensine aos seus filhos o respeito ao próximo, e fiquem tranquilas mocinhas que aqui comentaram, seus filhos serão héteros ou homos sem qualquer incentivo, eu jamais tive vontade de ficar com homens, e se isso me fosse obrigado desde sempre eu iria querer os meus direitos tal como lutam as vítimas que aqui são mencionadas!

Cheia da tua graça disse...

Estou saindo fora do blog, por que simplesmente achei algo que não vai de acordo com o que acredito. Fique na paz! =D

Preso por fora disse...

Defendo com veemencia o direito de qualquer pessoa discordar! Mas como edecador, e vc também é, luto pelo direito da informação. Não apenas a de repdodução do que líederes políticos ou pastores dizem com retórica tamanha, que parece até ter sentido. Mana Grabriela, não misture alhos com bugalhos. O direito na constituição dve se estender a todos. A brancos e negros, a adultos e crianças, a religiosos e não religiosos a heterossexuais e homossexuais...

Blogay disse...

Olá para todos gostaria de dizer que adorei o post
e gostaria de deixar aqui o endereço do meu blog para pessoas que se interessarem no assunto:

http://seublogay.blogspot.com/

muito obrigado.

Anônimo disse...

O importante não é ser feliz e sim respeitar os ensinamentos da Bíblia acima de tudo! Se você for gay, faça o sacrifício que lhe foi pedido por Deus, ou seja, ignore a sua condição e faça o que é certo, se não consegue ter atração pelo sexo oposto que se casem e sejam amigos, tenham filhos ou adotem crianças para ensina-las que o certo e seguir os ensinamentos da Bíblia e que só agindo assim, um dia alcançarão a felicidade verdadeira.

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