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10 de out de 2011

Meu haití, meus escombros





 


       Nos escombros de minha própria e impetuosa mente vi um menino, parecia que deitado de um cansaço fatal. Ali em meu quarto viajei em minha própria mente, parece que eu tinha entrado em outro mundo. Sua aparência -do outro mundo que é a minha própria mente- é de que havia as mesmas coisas e atrocidades que existiam e reinavam do lado de fora e pensei: _ Será que eu absorvi tudo isto pelo meu inconsciente?

       Lembrei-me dos crentes, de quando eles falavam para que eu fosse à igreja na segunda, na quarta, na quinta, na sexta e NO DOMINGO, de quando eles falavam a mim para não ver isso ou aquilo porque era do Diabo, para não ler filosofia, para não ler livro de ateu, pois eu terminaria louco como eles...
     
        Chorei muito estando eu nos escombros da minha mente, estava derribada pedra sobre pedra, parecia um templo caído. 
       
        Meus ouvidos captavam um som de como se eu, além de estar chorando ao ver os escombros e realidades do mundo do lado de dentro de mim, da minha mente, ouvia eu também o choro do lado de fora. E este choro era meu! Chorava eu pelo lado dentro e pelo lado de fora ao mesmo tempo!
Sabia que meu corpo estava inerte, mas eu estava ali, frente a frente comigo mesmo... Não acreditei naquela cena tão real. Vi a mim mesmo caído ao chão do quarto. Um desmaio? Teria eu morrido? Um sonho? Sei lá o que seria isso...

      Nos escombros de minha mente, nos entulhos, em tudo aquilo quebrado, em desordem, um momento de paz cessou a angústia: vi um menino, estava abaixo de tudo aquilo, e me tocou com seus dedinhos nos meus pés, ele disse:

       _ Não há nada que venha de fora que o possa contaminar! Toda está dura realidade do mundo é o que você faz, não o que ele faz de você, é o que você projetou nele, e não o que o seu inconsciente absorveu... O que o contamina é o que já está em você!

       Estava eu de frente aos escombros e ao olhar para trás não vi nada bom, apenas uma frase:

       _ Eu sei tudo o que eu fiz de errado!- Essa era a frase que acaba sempre com minha paz. Saber que erro constantemente, que não fui perfeito, era este tal o pensamento que me exauria, que me corroia por dentro.
   

       Levei um susto por que desta frase saia em bom som a minha própria voz proclamando-a. Chegou a mim como que uma angústia dentro de meu peito tão pesada quanto o mundo, doía. Desesperadamente ao olhar pra frente vi que o menino tinha desaparecido.

       E ali jaz um homem que colocou as mãos nos meus ombros. Percebi que ao seu toco muitos dos escombros já tinham desaparecido, sobrou apenas um montinho. Mas por que apenas aquele montinho de entulhos? Por que não sumira tudo? Este homem me dirigiu aquele pequenino montinho de escombros, pedras e sujeiras e me disse: 

_Suba naquele montinho de entulhos!

   Imediatamente subi e ele me disse:

_ EU SEI DE TUDO QUE FIZ POR VOCÊ!!!!
        
        Não tenho noção de quanto tempo fiquei deitado no chão do quarto depois deste fato. Após isto tudo fiquei ainda deitado porque não conseguia mover nada do meu corpo, e em todo àqueles momentos não sumia de minha mente a frase que aquele homem disse:

    _ EU SEI DE TUDO O QUE FIZ POR VOCÊ! 

        Não sumia de minha mente a maneira doce com que ele falara...
Tal frase me fazia refletir. Cheguei à conclusão da divindade desta pessoa e de que o que ele fez por mim valia muito mais do que eu fiz contra mim mesmo. Deu-me a impressão de que ele sempre esteve comigo.

       É, acho que foi um desmaio. Vá lá saber o que foi isso! Sei que acordei com alguém realmente me chamando pelo pé, com seus dedinhos minúsculos e angelicais. Era meu irmãozinho de 3 anos de idade, perguntou se eu estava dormindo: quanta inocência! Chamou-me para ver desenho animado!

Lucas Gonzaga

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