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20 de ago de 2011

Comunismo e Anarquismo

  

       Por que Comunismo e Anarquismo são tão mal interpretados? Algumas respostas que posso dar de imediato são que:


     No processo histórico, certos grupos apresentaram-se como Anarquistas e Comunistas e foram protagonistas de eventos ignominiosos que, é claro, não condizem com as propostas de tais movimentos.

       Para se ter uma noção, por exemplo, a própria China, que se diz Comunista e a extinta URSS (União Soviética), nunca foram Comunistas. Você pode me perguntar caro leitor: Como não são? Pergunto-lhe: se de um dia para outro eu começar a dizer que a porta de minha casa é um carro, apenas por que eu disse, será? Se uma criança disser que é Napoleão, apenas por que ela disse, será? As perguntas mostram o quão ridícula se torna a questão. Se apontam a algo dizendo ser um objeto tal e, ao vê-lo, percebemos que o significado, o aspecto material e outras propriedades não correspondem, deveras é que fomos enganados, ou mesmo, quem disse, foi enganado, ou está enganado.

Um aspecto desta situação é sobre o que estando em questão, no caso Anarquismo e Comunismo, usurpam para si tais nomes, porém sem cumprir com o que o nome carrega. Tem rótulo, todavia o conteúdo não corresponde. Este é o primeiro aspecto. O que se encaixa neste primeiro aspecto encontra-se, sobretudo a situação da China que se diz Comunista e a extinta URSS (União Soviética), de igual modo. Já o caso do Anarquismo o aspecto não é tão relevante. Logo, os que não sabem saberão o porquê.

      O segundo aspecto resume-se na ocasião de que quem se sente incomodado faz de tudo para denegrir. Quem oprime, oprime porque precisa do oprimido, portanto para o opressor não faz sentido desejar a libertação do oprimido, posto que sem o oprimido, sem o subjugado, com a falta da casta trabalhadora, sem o ser humano tratado como máquina do enriquecimento, enfim, o opressor não vive sem o oprimido. Precisa dele para se manter, para viver com seus bens supérfluos e ostentações. O opressor pensa e propaga que essa é a ordem natural do mundo e que tem que ser assim para que todos vivam em harmonia. Alguém tem visto alguma harmonia? O que vejo através da história é que a situação está melhorando a cada revolução. O livro “ A origem da família, da propriedade privada e do Estado” de Engels ilustra bem a última afirmação.

     Você, caro leitor, acredita que os donos de empresas de comunicação como a Globo, Record, SBT entre outras desejam uma mídia democrática? Acreditam de fato que são imparciais? Acreditam mesmo que as tais poderosas não omitem notícias? Leiam o Jornal Brasil de Fato (Click na palavra) entre outros muito mais. Garanto que os que são alienados por essas poderosas empresas de mídia acharam estranhas e ficarão estupefatos diante de notícias que sequer imaginavam que acontecia. Notícias essas que, com omissões em detrimento de sua inteireza, até passam algumas vezes nos meios de comunicação, embora raramente. O quero dizer? Que os incomodados deturpam o que pode feri-los através do que podem. Meios de comunicação, Escolas, Livros, Leis, etc. Louis Althusser tem bastante a dizer sobre este assunto no seu livro “Aparelhos Ideológicos de Estados.”
 
          Uma das principais características do Comunismo, por exemplo, é que no mesmo não há espécie alguma de Governo. Ora, sendo esta uma característica fundamental do Comunismo, me responda você se tais países que se dizem comunistas, o são de fato. Depois de ter essa informação torna-se até risível pensar que tais países são comunistas.

         Sobre Anarquismo, o que costumam dizer é que são pessoas que não aceitam autoridades e que são desordeiros. Bom, até certo ponto se está correto, não aceitamos autoridades. Particularmente eu, Anarco-comunista, aceito autoridades, porém a autoridade que digo tem outra conotação que poderei explicar em outros textos. Anarquia significa ausência de coerção e não ausência de ordem. De modo algum pode significar ausência de ordem. Sem ordem como viveremos? Há muitas vertentes e interpretações no Anarquismo, porém convergem-se do Comunismo pelo motivo de que o Comunismo ainda aceitam uma tal de “ditadura do proletariado”. Algo de que discordamos frontalmente. O opressor, em minha opinião, também precisa ser liberto e, coagir-lo não combina com o conceito de anarquismo.

       Acredito que fiz uma introdução, através do que escrevi, para uma longa caminhada de reflexão para alguns. Uma introdução com objetivo de ao menos causar curiosidade. O educador deve estar imbuído deste objetivo: causar curiosidade. Este objetivo é meio para objetivos maiores. Faz com que o discente não dependa integralmente de um professor. O discente parte para uma viagem autônoma para a liberdade e reflexão própria, isto, no início até com certa diretividade do Educador.


“Para o anarquista, a liberdade não é um conceito abstrato e filosófico, mas a possibilidade concreta essencial de todo ser humano desenvolver completamente todas as faculdades, as capacidades e as habilidades com as quais a natureza o dotou, e converte-las em valor social. Quanto menos esse desenvolvimento natural do homem for influenciado pela proteção política ou eclesiástica, mais eficiente e harmoniosa se tornará a personalidade humana, mais ela se tornará a medida da cultura da sociedade que foi desenvolvida.”

Obs.: Ponho-me contra todo tipo de violência, até mesmo para auto-defesa.




Lucas Gonzaga




7 Comentários:

Giovani Mariani disse...

Certamente amigo,
o termo "comunismo" é constantemente mal interpretado pela maioria das pessoas. Antes o comunismo primordialmente refere-se a determinadas doutrinas políticas, sociais e econômicas onde as desigualdades sociais podem ser sistematicamente abolidas. E a própria Igreja Primitiva era também comunista, conforme a Bíblia mesmo narra: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e riquezas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade.“Atos 2.44,45

Infelizmente muitos líderes religiosos hoje preferem fechar os olhos para essa passagem e doutrina espíritual, que representa o amor de Cristo na prática.

Graça e paz

Preso por fora disse...

Vibro quando leio comentários ou textos como o seu. Não sabia que você também caminhava por esses caminhos "escuros", subersivos e sofrido da solidariedade consciente, praxis e organizada, rs... Abraços, Grande Mestre Giovani.

Blog Semente da Renovação do Giovani:

http://www.sementedarenovacao.com/

Maite Santamarta. disse...

Caro Lucas Gonzaga, gostei muito do teu texto. Resumidamente e com palavras claras deu uma idéia exata de comunismo e anarquismo. Eu acredito que ambos se misturam num amálgama de utopia e que quem, como eu, se diz anarquista, apenas segue um caminho o mais sincero possível dentro dessa sociedade tão afastada desses dois conceitos. Quanto à tua citação do Brasil de Fato, que considero sério e honesto, gostaría de sugerir também: Caros Amigos, Carta Maior, Revista Forum e Le Monde Diplomatique Brasil.
Um abraço e continue nos presenteando com a tua lucidez.

Preso por fora disse...

Maite, a revista Filosofia deste mês da escola, tem como capa um cara que admiro muito: Slavoj Zizek. Ele diz que ser fiel a ideologia comunista não basta e explica o porquê. A revista está muito boa. Outro anarco-comunista de que gosto muito é o Chomsky.

Preso por fora disse...

AQUI: http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/31/sumario.asp

sérgio disse...

Infelizmente a humanidade ainda não vivenciou na prática, os ideiais que poderiam trazer uma sociedade justa; mas só regimes opressores. Penso que o homem ainda amadurece essa questão, pois acredito na mudança social à partir da mudança individual(micro) para o coletivo/social(macro).

Preso por fora disse...

Isso mesmo, partindo do pequeno ao complexo, do indivíduo ao coletivo. E isso é fácil de encontrar, um professor me atingiu e eatingiu outros alunos e eu, professor, sei que tenho atigindo crianças com o sentimento da solidariedade...

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