Pesquisar este blog

2 de mar de 2011

Estudantes do pré-vestibular (RJ) visitam Escola Nacional Florestan Fernandes

                                                          Escola naciona Florestan Fernandes
“Saímos às ruas para pedir contribuições e me lembro de um comerciante nos pedir para lavar a louça em troca de dinheiro. Ganhávamos moedinhas que variaram de R$0,10 a R$1,00”, contou Daiane de Araújo, 19 anos, aluna do primeiro ano do Curso Pré-Vestibular (CPV) do Conjunto de Favelas da Maré, durante a visita à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), nesse sábado, dia 05. Cerca de 20 estudantes, três professores e ex-alunos do CPV participaram da excursão carioca à ENFF, entre representantes da comunidade Santa Marta, Casa da América Latina, Associação Cultural José Martí e estudantes.



A luta começou em outubro do ano passado, quando o professor de Geografia, “Cigano”, apresentou um filme sobre a ENFF durante a aula. A partir daí, os alunos começaram a se organizar e a articular a visita. Eles se dividiram em comissões, desde a produção de cartazes até arrecadação financeira de porta em porta. “Nós não tínhamos dinheiro, então resolvemos, além das contribuições, fazer uma festa, que chamamos de Uma noite no Museu, no dia 16 de outubro”, disse Daiane. A festa foi realizada no Museu da Maré e contou com a participação de aproximadamente 80 pessoas e arrecadação de pouco mais de R$1.500,00, valor ainda insuficiente para a viagem.

Foi ai que Daiane tirou férias e, ao invés de estudar, se dedicou integralmente à organização da visita. “A Daiane sempre acreditou que daria certo. Esta foi nossa primeira festa e sem experiência alguma. Eu me lembro de um dia ter ganhado uma nota de R$20,00, no meio de tantas moedinhas que ganhávamos”, afirmou Adriana Sousa dos Santos, 23 anos, aluna do 1º ano do CPV. Mesmo com a dificuldade financeira, o grupo não desistiu. “Fui a um seminário na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sobre a ENFF, incentivada pelo Cigano e conheci pessoas ligadas à escola e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ao final do seminário, conversei com eles e as coisas começaram a caminhar”, lembrou. Depois desse encontro, exatamente três semanas antes da viagem, o professor recebeu um e-mail da ENFF falando sobre a excursão e se havia interesse dos alunos do CPV.

E foi nesse momento que o sonho destes alunos ficou ainda mais próximo da realização, porque todo o esforço valeu a pena. A articulação foi feita e, às 23h30, do dia 04 de fevereiro, estavam todos reunidos na Cinelândia à espera do ônibus. Seis horas um ônibus não significou cansaço ou reclamação e sim a conquista de uma bela vitória.

A manipulação não vai longe

Jovens a partir de 18 anos, todos ávidos por informação e com o brilho da esperança no olhar. Este foi o clima que permeou a visita à ENFF. Quando questionados sobre o motivo da visita, Daiane rapidamente respondeu contando que o curso pré-vestibular sempre transmitiu uma visão política dos trabalhadores e sobre a questão agrária. “Não sabíamos nada no começo, apenas que o MST era chamado de ‘baderneiro’, mas agora entendemos a luta e temos informação”, pontuou Daiane, vestindo uma camiseta estampada com a logomarca da TV Globo com os seguintes dizeres: “Sorria, você está sendo manipulado”.



“Precisamos sempre desconfiar das informações que passam na TV, não podemos assimilar sem raciocinar, é necessário questionar: será que não tem outro lado?”, alertou o professor de História do CPV, Humberto Salustriano da Silva, 32 anos.

Texto de Camila Marins e fotos de Amanda Coelho

Publicado em 11.01.11 – Por Camila Marins em  

http://camilamarins.blogspot.com

0 Comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Seguidores


Mais Jogos no Jogos Online Grátis - Jogos de Meninos