Pesquisar este blog

29 de dez de 2010

Não há vagas- Ferreira Gullar


O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.

Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira.



0 Comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Seguidores


Mais Jogos no Jogos Online Grátis - Jogos de Meninos