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10 de fev de 2010

Parábola do cristão rico e do sem-terra honesto _ por Paulo Brabo



        Dois homens foram certa vez à mesma igreja: um, cristão, e o outro, sem-terra. O cristão, posto em pé, orava consigo mesmo, desta forma: “Ó, Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este comunista. Venho à igreja duas vezes por domingo e dou para a obra a décima parte do meu líquido, que é maior que o bruto acumulado de todos os meus empregados”. O sem-terra, estando em pé, longe, e que havia entrado na igreja para ver se seria recebido com alguma misericórdia, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, lamentando que suas maiores suspeitas fossem justificadas. O cristão voltou para casa sentindo-se justificado; o sem-terra não voltou para casa porque não a tinha.

– Explique-nos esta parábola.
– Vocês não entendem esta parábola? Como, então, entenderão todas as parábolas?
– Seja mais claro.
– Esta é uma parábola sobre coisas que não existem.
– Então Deus não existe? Temos estado enganados todo este tempo?
– Néscios! É claro que Deus existe. O que não existe é sem-terra honesto.
– Oohhh!
– Nem cristão rico.


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